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“As melhores ideias surgem-me quando estou a fazer a barba”

“As melhores ideias surgem-me quando estou a fazer a barba”

Jorge Tavares, director do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita no Cartaxo 

Jorge Tavares tem 48 anos e é director do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, no Cartaxo, há dez anos. Em criança ajudava à missa e jogava futebol na rua com os colegas. Diz-se viciado em trabalho e reconhece que devia passar mais tempo com a família. Define-se como uma pessoa calma, metódica e organizada e acredita que os colegas do conselho pedagógico já nem o podem ver à frente com tantos gráficos que lhes apresenta.

Em 2002 perdi as eleições para a direcção da escola por seis votos. Foi uma boa lição de vida. Consegui perceber que o perder e o ganhar são relativos. Em 2005 voltei a candidatar-me, ganhei e já cá ando há dez anos.Até aos 12 anos fui acólito. A minha mãe era catequista e o meu pai também era católico praticante mas ser acólito não foi uma imposição. Há quarenta anos não havia a obrigatoriedade de usar a batina branca, eu pelo menos nunca usei (risos). Continuo a acreditar na importância da religião, apesar de em hoje em dia não ir à missa todas as semanas.Penso que os meus colegas do conselho pedagógico já nem me podem ver à frente com tantos gráficos (risos). Sou muito organizado e gosto de fazer comparações da evolução das disciplinas e do desempenho dos alunos ao longo dos últimos anos. Confesso que tenho uma obsessão por resultados. Defino-me como uma pessoa calma, metódica, exigente e positiva.As melhores ideias surgem-me quando estou a fazer a barba. Muitas delas aponto-as e partilho-as. Uma das grandes ideias que tive foi implementar no programa curricular de 6º ano, já este ano, as línguas de Francês e Espanhol, em cada semestre como forma de preparar os alunos para a escolha que têm de fazer no ano seguinte.O trabalho tira-me demasiado tempo da minha vida pessoal. A minha esposa, Argentina, e o meu filho de 15 anos, Bruno, queixam-se de eu não lhes dedicar o tempo que devia. Por exemplo, ocupei as férias a fazer sozinho a distribuição dos 200 professores pelas várias turmas. Apesar do meu empenho procuro dedicar os domingos à família. Vamos passear nem que seja apenas para mudar de ares.Era incapaz de pedir um cêntimo à Câmara do Cartaxo para as escolas. Os problemas financeiros da Câmara do Cartaxo são sobejamente conhecidos e eu tenho consciência de que tenho de ter a capacidade de gerir o dinheiro que há de forma a não ter que pedir nada. Quando estava a tirar o curso no Magistério Primário, colaborei num pequeno jornal de Alter do Chão. Achei interessante esse papel de jornalista (risos). Como as pessoas têm a tendência a fugir do interior para os grandes centros eu sentia a necessidade de ir transmitindo o que se ia passando. Informar e não propriamente dar a minha opinião. Quando era jovem redigi também uma monografia intitulada “Cunheira ontem e hoje”.Mudei-me para o Cartaxo em 1991. Depois de terminar o curso de Matemática e Ciências, comecei a dar aulas num liceu em Portalegre e lá conheci a minha esposa. Como ela vivia no Cartaxo, decidimos mudar para cá depois do casamento. Dei aulas de Matemática em escolas de Pontével, Azambuja, Aveiras de Cima e acabei por ser professor no Cartaxo. Naquela altura era fácil arranjar trabalho na área da educação e eu já tinha também o curso do Magistério Primário.O essencial para mim são as pessoas. Esta é a minha grande missão enquanto director da escola. Quando perder essa vontade de ajudar os outros já não estou aqui a fazer nada.Considero-me um alentejano de gema. Nasci em Lisboa mas vivi desde pequeno na Cunheira, uma pequena aldeia do concelho de Alter do Chão. Tenho boas recordações dos tempos em que se jogava à bola na rua porque não havia Internet e dos momentos de camaradagem com os colegas.Não sou um fanático por futebol e não deixo o que estou a fazer para ver um jogo. Isso não quer dizer que não goste de futebol, claro que gosto. Na Cunheira cheguei a ser vice-presidente de um clube desportivo.Mariana Apolónia
“As melhores ideias surgem-me quando estou a fazer a barba”

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