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Ana Sofia Antunes é a primeira pessoa cega a chegar ao Governo

Ana Sofia Antunes é a primeira pessoa cega a chegar ao Governo

Socialista residente em Vila Franca de Xira foi nomeada para secretária de Estado da Inclusão

Em entrevista a O MIRANTE em Agosto lamentava que o país andasse a empurrar com a barriga os problemas das acessibilidades para as pessoas com deficiência e confessava não se importar de ser uma voz incómoda.

Edição de 02.12.2015 | Sociedade
A socialista Ana Sofia Antunes, que vive em Vila Franca de Xira, falhou a eleição para deputada mas foi nomeada por António Costa para secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência. Tomou posse na tarde de quinta-feira, 26 de Novembro. Foi a primeira vez na história que uma pessoa cega chegou ao Governo. Entre as suas bandeiras está a criação de uma lei de bases da vida independente, conseguir uma reversão profunda dos mecanismos compensatórios dos custos acrescidos que as pessoas com deficiência enfrentam e dinamizar uma revisão da legislação de atribuição de produtos de apoio. “Espero que o tempo seja suficiente e que os melindres burocráticos permitam fazer isso. Conheço teoricamente o processo legislativo da assembleia e estou preparada para ter algumas desilusões”, dizia, numa entrevista em Agosto a O MIRANTE. Ana Sofia Antunes tem 34 anos, nasceu em Lisboa mas vive em Vila Franca de Xira há seis anos. É filha de um cabo da Guarda Nacional Republicana e de uma operadora da Portugal Telecom. Cega congénita, nunca precisou que lhe dissessem que não conseguia ver. “Foi a minha realidade desde sempre”, dizia. Detesta pessoas derrotistas e nunca virou a cara à luta. Licenciou-se em Direito e foi jurista e provedora do cliente da EMEL. É presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). Esteve na Câmara de Lisboa desde 2007, onde elaborou um plano de mobilidade sob a gestão de António Costa, entretanto indigitado primeiro-ministro.Não tem tempos livres mas aproveita as viagens de comboio para ler. Nessa mesma entrevista dizia que o país precisa de quebrar as barreiras da diferença e que não ia deixar de ser uma voz crítica só por ocupar determinado cargo. É uma mulher habituada a dizer o que pensa mesmo que as suas palavras possam cair mal em quem a ouve. É uma activista que não gosta do politicamente correcto e diz que não está “nem um bocadinho preocupada” com isso. “Espero ser uma voz diferente”, confessava.O líder da Juventude Socialista de Vila Franca de Xira, João Pedro Baião, foi entretanto nomeado por Ana Antunes para ser seu adjunto no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
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