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Inigualável Manuel Serra d’Aire

Edição de 08.06.2016 | Emails do Outro Mundo

Este ano a Feira Nacional de Agricultura de Santarém meteu água, ou melhor falta da dita, ao terceiro dia, conforme as escrituras que tive oportunidade de ler sobre o assunto. Sabes bem que torço o nariz quando me vêm com a história da divina providência, mas neste caso confesso que fiquei tentado a acreditar numa entidade sobrenatural justiceira quando na segunda-feira soube que o CNEMA, que organiza a feira, ficou sem pinga de água nas torneiras devido a uma ruptura. A administração do parque de exposições anda há anos a recusar a ligação à rede pública de água e agora viu o espaço ficar sem água nos autoclismos durante um dia e a ser abastecido pelos bombeiros. Se, após este sinal, os donos do CNEMA não forem a correr pedir a ligação à rede, então é porque ainda são mais ateus do que eu. Ou, então, julgam-se eles próprios divindades acima das trivialidades comezinhas do quotidiano.

Ainda falando da Feira de Santarém, este ano é dedicada à fruta portuguesa e, digo eu, muito bem. Apesar de haver muito boa gente que prefere fruta de outras paragens, nomeadamente tropicais, eu sou fiel à fruta nacional, ainda que por vezes a aparência não seja tão vistosa e o calibre não seja tão exuberante. Infelizmente já não temos uma ministra da Agricultura como Assunção Cristas para ser porta-estandarte dessa causa, mas tudo o que for feito pela promoção da fruta lusitana, como os rijos marmelos ou as protuberantes melancias, só para citar alguns exemplos, pode contar com o meu total apoio e apetite.
O PAN, o PEV e o BE queriam que os menores fossem proibidos de actuar em espectáculos tauromáquicos, impedindo assim que a rapaziada com mais de 16 anos possa ir para a arena desafiar os toiros. Nada de espantar, tal como não surpreendeu o chumbo que esses projectos de lei levaram na Assembleia da República. Mas não posso deixar de me espantar com a postura do Bloco de Esquerda na sua épica batalha pelas causas fracturantes. O Bloco que não quer menores a trabalhar nas arenas é o mesmo Bloco que defende que os menores a partir dos 16 anos podem escolher livremente a mudança de sexo e o que fazer com a sua genitália. Enfim, esta malta não pára de me surpreender… Ou será sinal de que estou a ficar velho?
O socialista tomarense Luís Ferreira voltou a atacar o vereador da CDU na Câmara de Tomar e parceiro de coligação, Bruno Graça, um senhor com ar pacato que tem sido transformado em saco de boxe pelo teclado de Ferreira com tanta violência que já começo a duvidar se o homem chegará ao final do mandato são e salvo. Desta vez, Luís Ferreira elevou o nível da sua expressão literária a um patamar em que começa a ombrear connosco no que à verrina e à adjectivação diz respeito.
Depois de chamar “arcaico”, “ineficaz” e “prepotente” a Bruno Graça, Luís Ferreira acrescentou que o vereador comunista é “um verdadeiro trambolho na vereação do município, como há décadas não se via”. Embora aqui a avaliação possa estar afectada pela sua proverbial modéstia, pois Luís Ferreira andou pela vereação da Câmara de Tomar no mandato anterior e, se bem me lembro, apesar de ninguém lhe ter chamado publicamente trambolho num blogue, a sua passagem pela autarquia não foi propriamente celebrada com champanhe e foguetes, nem se viram lágrimas de saudade no dia em que saiu.
Aquele abraço do
Serafim das Neves

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