uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Falta de água pôs em causa condições de higiene na Feira de Agricultura

Falta de água pôs em causa condições de higiene na Feira de Agricultura

Espaço esteve um dia a ser abastecido por bombeiros, devido a uma ruptura, enquanto CNEMA continua a recusar ligação à rede pública

Edição de 08.06.2016 | Sociedade

O Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, onde decorre a Feira Nacional de Agricultura, esteve a ser abastecido de água por tanques de várias corporações de bombeiros, durante todo o dia de segunda-feira, 6 de Junho. A situação deveu-se a uma ruptura no sistema interno do parque, abastecido por um furo próprio, numa altura em que o CNEMA, sociedade dona do espaço, tem vindo a recusar, há três anos, fazer a ligação à rede pública de água, apesar de a isso estar obrigada. A situação gerou uma grande confusão e colocou em causa o funcionamento de restaurantes, casas-de-banho e fornecimento de água aos animais em exposição, num espaço que recebe milhares de visitantes.
O MIRANTE esteve no local e verificou as casas-de-banho com falta de condições de higiene e as sanitas interditas a expositores e visitantes. Os elementos de restaurantes tiveram de se abastecer nos tanques dos bombeiros com panelas, baldes e até caixotes do lixo para confecção de refeições e lavagens de loiça. Na semana passada, antes de a feira começar, a administradora da empresa municipal Águas de Santarém pediu uma reunião urgente com a administração do CNEMA para alertar para a necessidade de ligação à rede mas a reunião foi inconclusiva. Mesmo assim a empresa municipal enviou um orçamento de ligação ao ramal de rede pública.
Durante o dia vários elementos do CNEMA
andaram no recinto à procura da ruptura, que só foi descoberta ao final da tarde, com a ajuda de funcionários municipais de Coruche e da Águas de Santarém, precisamente a entidade que o CNEMA tem ignorado. Os funcionários da empresa municipal de gestão e fornecimento de água foram enviados para o local por indicação do presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), que é também presidente do conselho de administração da Águas de Santarém e membro do conselho de administração do CNEMA em representação do município.
O autarca, na semana passada, em declarações a O MIRANTE, sobre o facto de o parque continuar a ser abastecido por um furo interno, disse desconhecer se o CNEMA realiza análises à água e se o furo está licenciado, apesar de a câmara ser a segunda maior accionista do parque. O MIRANTE
observou o descontentamento junto dos proprietários de restaurantes e tasquinhas pelo facto de a organização não ter um plano alternativo para falhas como estas. A ruptura foi detectada por volta das 8h00.
O CNEMA, liderado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), colocou uma informação pouco visível no seu site na internet, pediu desculpas, reconhecendo que a situação ocorreu no dia com entradas gratuitas, que é aquele em que os visitantes se “deslocaram em grande número à feira”.
Recorde-se, conforme O MIRANTE já tinha noticiado, que o CNEMA já tinha sido notificado para fazer a ligação. Sendo a Águas de Santarém a entidade responsável pelo abastecimento no concelho, o presidente desta entidade e da Câmara de Santarém, tem poderes para avançar com um processo de contra-ordenação por falta de ligação à rede pública, o que ainda não fez para poupar o CNEMA a coimas que podem chegar perto dos 45 mil euros. Em 2013 a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) garantia a O MIRANTE que o CNEMA estava a violar a lei. A ERSAR refere que “caso exista rede pública disponível não podem ser utilizadas captações próprias para consumo humano”.

Falta de água pôs em causa condições de higiene na Feira de Agricultura

Mais Notícias

    A carregar...