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Férias

“Neste interior esquecido, facilmente seremos agradavelmente surpreendidos. Na verdade, aqui cada um arrisca-se a ter umas excelentes férias. Quem gosta de água e banhos tem à disposição um conjunto de praias fluviais que nada devem às de água salgada, antes pelo contrário”

Edição de 11.08.2016 | Opinião

Fui tirar umas cópias num daqueles centros em que os comerciantes trabalham sem horas e sem meses; aqui Agosto, quando tudo debanda em férias, é igual a qualquer outro mês. A senhora das cópias comentou que muito gostaria de voltar ao Gerês mas que a vida não a deixa. Também li sobre férias, num jornal online, um artigo sobre o magnífico S. Lourenço do Barrocal, um cinco estrelas no campo aos pés de Monsaraz, onde alguém comentava e se queixava que “aquilo” não era para as posses de qualquer um…, grande mentira; fui lá tomar um café num soberbo fim de tarde e ainda provei magníficos vinhos sem pagar um tostão. Vivi como posso o cinco estrelas no campo mas garanto-vos que foram umas horas muito bem passadas.
Em Portugal o melhor é borla. Sobretudo nas férias é muito bom que saibamos viver o que melhor temos; imensos e variados patrimónios, muitos bem perto de casa. Tudo muda se, como a maioria, tivermos como ideal de férias uma praia com filas de trânsito para lá chegar; assim, na verdade, as férias são caras e têm uma qualidade e um resultado muito duvidosos.
Ao revés, neste interior esquecido, facilmente seremos agradavelmente surpreendidos. Na verdade, aqui cada um arrisca-se a ter umas excelentes férias. Quem gosta de água e banhos tem à disposição um conjunto de praias fluviais que nada devem às de água salgada, antes pelo contrário. Infraestruturas de todos os tipos respondem perfeitamente ao nosso gosto e necessidades. O tal “como se tivesse em casa” é fácil de encontrar em alojamentos de muito charme e acessíveis. Mas, sobretudo, a minha escolha vai ser fazer pequenos percursos locais de mochila às costas onde transporto um farnel que irei saborear em sítios e paisagens indiscritíveis. Este bom país ainda existe. Todos os locais têm disponíveis percursos acessíveis para todos, novos e velhos, que nos convidam a viver momentos únicos – às vezes são dez minutos de conversa com um pastor.
Neste quente Agosto é o desafio que vos proponho, viver o país que somos descobrindo os pequenos tesouros, gratuitamente, que nos possibilitam no fim da jornada sentir que valeu a pena. O imenso património natural e cultural que temos é um valor que muitas vezes ignoramos. Viver o Portugal natural é uma dádiva e um inestimável contributo para o bem-estar pessoal. Atreva-se e verá, não se vai arrepender antes pelo contrário – quanto vale um picnic à sombra de uma árvore à beira de um rio de água limpa?
Se escolher a parte alta do Zêzere (Manteigas) ou Constância, Figueiró dos Vinhos, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei e Sertã ainda nos encontramos por lá.
Carlos Cupeto
Universidade de Évora

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