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Escreveu um livro sobre Jorge Jesus sem o conhecer nem perceber de futebol

Escreveu um livro sobre Jorge Jesus sem o conhecer nem perceber de futebol

Autor natural de Tomar é consultor e formador na área de informática. Dois anos depois da publicação do livro “Não sou Eça de Queiroz - O mundo de Jorge Jesus”, que já vai na terceira edição, Luís Garcia considera as vendas “interessantes” para um autor desconhecido, doutorado em informática e que nunca falou com o mediático técnico de futebol do Sporting.

Edição de 08.03.2017 | Sociedade

Quando era mais novo Luís Garcia escrevia imenso. Lembra-se do dia em que o pai lhe ofereceu o livro “Constantino, guardador de vacas e de sonhos”, de Alves Redol. Algures por essa altura nasceu uma vontade enorme de escrever. E o escritor de Tomar já tem vários livros publicados de poesia, de contos e um romance. Em 2014 anos lançou-se na aventura de entrar no mundo do treinador de futebol Jorge Jesus e publicou “Não sou Eça de Queiroz - O mundo de Jorge Jesus”, o seu livro mais motivacional, cujo título surge precisamente de uma afirmação do técnico, na época que treinava o Benfica.
Admite que “havia material para escrever uma comédia mas optou por um livro que fala de sonhos e competências e de um homem que sabe o que é começar por baixo, construir uma carreira passo a passo”. Jorge Jesus começou a carreira como treinador na terceira divisão, em Portugal, passou por diversos clubes e os seus conhecimentos tácticos foram sempre elogiados.
“Chegar a um clube de topo demorou vinte anos mas conseguiu. Hoje não há quem não o conheça, quem não critique a forma como trata a língua portuguesa mas não tem pretensões de nos ensinar a escrever, veio para nos fazer, tal como ele, apaixonar pelo jogo da bola e nisso ele é um mestre”, afirma Luís Garcia a O MIRANTE.
O livro designado basicamente como um “trabalho de investigação” classifica-o como uma “biografia desportiva” embora nunca tenha falado com Jorge Jesus. “Acho até que o treinador nem sabe que eu existo”, ri. Apesar de falhar esse contacto pessoal, o escritor tomarense quis passar para o leitor o lado de “bom técnico” do actual treinador do Sporting, embora reconheça ter “lacunas a nível de relacionamento interpessoal e com os media”.
O português ou a falta de mestria na língua de Camões é, de facto, uma das falhas mais apontadas ao treinador por isso foi “incontornável” a Luís Garcia referir no livro algumas das ‘gafes’ cometidas por Jorge Jesus. “Por vir de baixo traz alguma bagagem com ele de um mundo que às vezes não fica muito bem na televisão”, por exemplo “aquelas palavras estranhas que ele inventa”, diz.
O livro já vai na terceira edição. “A primeira e a segunda com capa vermelha porque Jorge Jesus treinava o Benfica. A terceira já tem capa verde e algumas alterações com a passagem do técnico para o Sporting”, conta. Sem até hoje ter recebido os direitos de autor, Luís Garcia estima ter vendido cerca de cinco mil livros com a chancela da Chiado Editora. Recorda que “quando Marcelo Rebelo de Sousa apresentou o livro na TVI, na semana a seguir, a primeira edição esgotou”.

Doutorado em informática, consultor e formador

Luís Garcia nasceu em 1973 em Tomar, oriundo de uma família de Linhaceira. Viveu na Amadora mas regressou à cidade templária, que considera uma “boa escolha” para criar os dois filhos. Doutorado em Informática pela Universidade Portucalense é consultor de informática. É formador desde 1994 nas áreas de Informática, Formação de Formadores e de Professores. “Perguntam-me, de quando em quando, qual a razão que leva um interveniente da área tecnológica a ter pretensões de escritor. A resposta, que assaz me ocorre, é bem mais simples do que talvez eu goste de admitir: escrever completa e equilibra a pessoa que sou. Dito de outra forma, escrevo porque gosto!”, afirma.
Sem nunca ter pensado em escrita estilo desportivo aceitou o desafio da Chiado Editora e concluiu o livro em apenas duas semanas “para estar pronto no final do último Campeonato do Mundo de Futebol. Trata-se de um projecto de editor sem custos para o autor.
Sobre o desporto rei, “como todos os meninos da minha geração, também eu vibrava no pelado da minha aldeia. Infelizmente a minha produção futebolística estava ao nível do pior jogador do mundo”, refere. Adianta até “não ser um entendido em futebol”, por isso tem algumas dificuldades em aceitar convites para ir a conferências. O próximo livro será sobre educação.

Escreveu um livro sobre Jorge Jesus sem o conhecer nem perceber de futebol

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