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Mação volta a viver o inferno dos grandes incêndios
devastação. Depois do grande incêndio de 2003 (na imagem) o fogo voltou a flagelar o concelho de Mação.

Mação volta a viver o inferno dos grandes incêndios

Fogo começou na tarde de domingo e na quarta-feira ainda estava por controlar. Destruiu casas e outros bens, para além de mais de 10 mil hectares de floresta e mato. Duas centenas de pessoas tiveram que ser evacuadas temporariamente das suas casas.

Edição de 26.07.2017 | Sociedade

Um total de 200 pessoas tiveram de ser retiradas temporariamente de 20 aldeias de Mação, onde as chamas destruíram nos últimos dias mais de 10 mil hectares de área florestal e, na manhã desta quarta-feira, dia de fecho desta edição, os fogos continuavam por controlar no concelho.
Até agora, “arderam cinco casas de primeira habitação, para além de casas devolutas, barracões, infraestruturas eléctricas e viaturas, com prejuízos não calculados, e mais de 10 mil hectares de floresta, muita área de regeneração natural do incêndio de 2003”, frisou o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela (PSD).
Em declarações à agência Lusa, cerca das 00h30 desta quarta-feira, o autarca disse que continuavam a evacuar-se aldeias e a deslocar-se para Mação mais habitantes das localidades de Santos, de Caratão e Casas da Ribeira (20 pessoas por aldeia), que foram instalados no lar da Santa Casa da Misericórdia de Mação.
O autarca destacou ainda o caso de São José das Matas, na freguesia de Envendos, “onde o centro de dia e o lar já fizeram a recolha dos utentes para o próprio edifício para evitar alguns problemas durante a noite” (madrugada de quarta-feira), tendo referido que “algumas zonas estão a conseguir ser controladas muito com a ajuda das máquinas de rastos”, nomeadamente na zona da Maxieira e da Serra do Bando.
No total, contabilizou Vasco Estrela, foram retiradas “cerca de 200 pessoas nos últimos dois dias, das quais cerca de metade já regressou às suas casas”, em cerca de 20 aldeias.
O presidente da Câmara de Mação disse que “os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa” e que já existe um “cansaço extremo dos operacionais” no terreno. “Um dos nossos funcionários, que esteve muito tempo a trabalhar com uma máquina de rastos, foi hospitalizado com cansaço extremo, e há a registar alguns feridos ligeiros e casos de ansiedade, mas nada de muito grave”, afirmou à Lusa.

Enorme machadada no trabalho de regeneração da floresta
“Quando estávamos a recuperar o nosso verde horizonte, quando havia uma vez mais esperança da população deste concelho na floresta, na nossa maior riqueza, esta é uma machadada enorme que o concelho está a sofrer”, destacou o presidente da Câmara de Mação, lembrando os “muitos avisos” da autarquia e criticando a “falta de uma política nacional para um efectivo ordenamento do território” florestal.
Vasco Estrela apontou também o dedo a problemas “sistemáticos”: “Ou há falta de meios, ou, de facto, o incêndio está a evoluir de uma maneira tal que é impossível controlar tudo, ou então alguém tem que responder sobre o que está aqui a acontecer, porque é sistemático. Recebemos informação de que há aldeias para evacuar, sem ninguém no local, chega a GNR, chegam os meios da câmara municipal, chegam eventualmente ambulâncias para trazer as pessoas, e os bombeiros, coitados, alguns aparecem lá já quando as coisas estão mais complicadas”.

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