
Um campeão de artes marciais que não gosta de confusões
A vida de Adelino Boa Morte é uma correria, dividida entre a família, o trabalho na ABEIV e o Muay Thai, a arte marcial em que tem conquistado títulos em Portugal e no estrangeiro. O atleta define-se como uma pessoa calma e diz que gostava de abrir a sua escola de combate em Vialonga, onde vive.
Adelino Boa Morte conquistou em 2017 o primeiro título mundial de Muay Thai da carreira, que foi o corolário de um ano memorável em que perdeu apenas dois dos 15 combates que fez. Tudo isto a par com o seu trabalho diário com os jovens utentes da Associação para o Bem-Estar Infantil da Freguesia de Vialonga (ABEIV).
Conjugar a vida profissional e a familiar com a arte marcial tailandesa de que tanto gosta apresenta-se como um desafio permanente para este jovem. Vive em Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira, com o filho de dois anos. Levanta-se todos os dias às 5h00 da madrugada para se deslocar até Alcântara, em Lisboa, onde começa o treino pelas 7h00. Regressa a casa a tempo de tomar um banho e preparar-se para mais um dia de trabalho com os jovens, entre os 12 e os 15 anos. Deixa o trabalho às 19h00 e dirige-se para mais um treino que só vai terminar por volta das 21h30. Chega a casa a tempo de deitar o filho e preparar o dia seguinte.
Não é uma rotina fácil para um rapaz de 27 anos e admite que exige “muita paciência e organização”, mas tudo em prol de cumprir o seu sonho: ser lutador de Muay Thai. Tudo começou há quatro anos, quando teve o primeiro contacto com a modalidade num pavilhão perto de casa e decidiu experimentar. Considera-se uma pessoa calma e nunca gostou de se meter em confusões, mas gostou deste desporto de combate e acabou por apostar nele.
O início não foi fácil e chegou mesmo a perder os primeiros cinco combates enquanto profissional. “A minha mãe pedia-me para mudar de desporto quando me via chegar a casa, derrotado e com um olho aberto ou já cosido”, desabafou a O MIRANTE. Contudo não desistiu e percebeu que conseguiria fazer melhor mas para tal era preciso mudar alguma coisa. Deixou o clube onde treinava para ingressar na equipa de Dina Pedro, antiga campeã de Kickboxing e Muay Thai.
A mudança rendeu e é com orgulho que exibe os prémios conquistados em 2017, todos eles em torneios internacionais, disputados em França, Espanha, Tailândia e China. Apesar do palmarés generoso, Adelino admite que não ganha muito dinheiro no desporto e por isso está obrigado a conjugar o Muay Thai com outro emprego. Isso só é possível, reconhece, graças ao apoio que recebeu dos colegas da ABEIV, que permitem a Adelino criar um horário de trabalho que se coadune com o ritmo de treinos diários que precisa para chegar ao nível onde está.
A mãe obrigou-o a tirar um curso
Adelino começou a trabalhar na instituição de solidariedade em 2011, após um estágio curricular bem-sucedido para concluir o curso profissional de Técnico de Apoio Psicossocial, que escolheu porque “a mãe o obrigou a tirar um curso”. Ajuda no horário das refeições, com os trabalhos de casa, nas visitas de estudo e com os trabalhos manuais destinados a celebrar dias festivos. “São a minha segunda família e quero continuar a trabalhar aqui”, conta a O MIRANTE.

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