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Passagem de camiões no centro de Samora Correia é problema por resolver há décadas

Passagem de camiões no centro de Samora Correia é problema por resolver há décadas

Entidades estão num jogo do empurra e quem vive na Avenida O Século lamenta problema. Passagem frequente de camiões pelo centro da cidade gera incómodos variados para a população. Políticos defendem a proibição da passagem mas há obstáculos ainda por ultrapassar.

Edição de 07.09.2018 | Sociedade

Sempre que passam camiões na Avenida O Século, a principal artéria da cidade de Samora Correia, os incómodos fazem-se sentir a quem ali vive: casas a tremer, ruído excessivo, maus cheiros e fumos, a todas as horas do dia e da noite.
O problema é tão antigo que a fé outrora inabalável dos moradores de que o problema ia ser resolvido começa, lentamente, a dar lugar à resignação. Quem já não aguenta com o barulho vende as casas e muda-se. E quem fica desabafa a O MIRANTE que não é um bom local para viver. “Imagine querer adormecer e sempre que passa um camião acorda. É uma sensação indescritível. E quando se cruzam dois parecem aviões a passar”, lamenta Fernando Jorge, morador.
Para quem tem negócios o cenário não é melhor. António Dores tem um café naquela avenida com uma pequena esplanada, onde raramente as pessoas se sentam. “Ninguém aguenta o barulho e o fumo”, critica. A maioria dos moradores não hesita em apontar o dedo aos políticos e à sua incapacidade para fazer frente ao problema. É uma luta, dizem, que se arrasta há mais de vinte anos.
Em 2013 foram dados passos importantes com vista à desclassificação do troço dentro de Samora Correia, visando desclassificar esse troço da Estrada Nacional 118 para estrada municipal, por troca com a Estrada da Murteira, que serviria de variante natural à cidade. Chegou até a ser assinado um acordo entre o município e a Infraestruturas de Portugal visando essa situação. Mas um conjunto de problemas na Estrada da Murteira ainda por resolver, como a baixa largura da via em alguns locais, tem dificultado o processo de desclassificação.
“Espero até final do mandato dar passos muito positivos para acabar com o trânsito de pesados na freguesia, que gera incómodos de ruído e danos nos edifícios. Houve o acordo para passar a variante na Estrada da Murteira mas ainda não se concretizou”, lamenta o novo presidente da junta, Augusto Marques.

Samora muda de presidente mas numa linha de continuidade
Augusto Marques (CDU), 38 anos, é o novo presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia, a maior do concelho de Benavente, que tem perto de 18 mil habitantes. O foco do autarca, em entrevista a
O MIRANTE, é manter uma linha de continuidade com o passado e a gestão do anterior presidente, agora vereador, Hélio Justino.
“Quisemos manter uma gestão de continuidade. Ficaram coisas bem feitas do anterior executivo. Estou a gostar da experiência. O nosso papel é de proximidade com a população mas não temos muita capacidade de acção. Ouvimos e encaminhamos os problemas para as diferentes entidades”, refere Augusto Marques.
Para o autarca, Samora Correia precisa mesmo é de um auditório maior – embora não haja para já dinheiro para o concretizar. Elege como grandes obras para fazer até ao fim do mandato a construção de um novo polidesportivo em Porto Belo e Curralinhos e a adaptação de um espaço nos lavadouros da fonte para servir de centro social. Nos planos está também a substituição do piso de cinco parques infantis da freguesia. O resto vai ter de esperar. Gere um orçamento anual na casa dos 650 mil euros.

“Os movimentos independentes não ajudam nada”
O autarca admite que Samora é um dormitório mas não destaca nenhuma medida para reverter essa situação. “O impasse na implementação do novo PDM está a prejudicar Samora. O que a Quercus [associação ambientalista] parece estar a fazer ao concelho é uma perseguição. Há mais qualquer coisa por detrás de tudo isto. A Quercus só está a ser o mensageiro. Há outros interesses. Tudo isto tem causado bastante prejuízo ao concelho e à cidade”, critica.
Augusto Marques olha de lado para movimentos independentes de cidadãos e prefere destacar o papel dos partidos. “Os movimentos independentes não ajudam nada à vida do país e da região. Não os vejo como benéficos. Em Samora Correia, quando um movimento independente ganhou a junta conheciam-se as pessoas, eram de vários partidos, mascararam-se e tentaram iludir as pessoas com um ar independente”, acusa.

Gestão de Carlos Coutinho precisa de obra

O novo presidente da junta elogia a gestão de Carlos Coutinho à frente da Câmara de Benavente e refuta as acusações da oposição garantindo que “não está a ser uma catástrofe”. Mas avisa que é preciso começar a fazer obra. “Acompanhei os últimos quatro anos na câmara e foi um período de candidaturas a fundos comunitários. A câmara conseguiu aproveitar as candidaturas, agora estamos à espera que a obra venha para o terreno. É preciso concretizar essas obras o mais depressa possível. São 12 milhões de euros de investimentos em requalificação urbana, mobilidade, ciclovias e iluminação, entre outros. Sei que em alguns locais, como no bairro Almansor, em Benavente, isso já começou. Mas é preciso que se avance no resto do concelho para as pessoas acreditarem e está a faltar esse passo”, conclui.

Passagem de camiões no centro de Samora Correia é problema por resolver há décadas

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