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Fleumático Manuel Serra d’Aire

A Diocese de Santarém saltou a terreiro porque um grupo de católicos ultraconservadores denunciou a realização de um concerto alegadamente pouco católico numa igreja da aldeia de Cem Soldos, em Tomar, durante o Festival Bons Sons deste ano. Em causa “observações de escândalo” relacionadas com o tipo de música tocado e, nomeadamente, com solos de viola eléctrica que pelos vistos devem ter causado urticária nalguns pavilhões auditivos mais sensíveis e talvez até a queda de algum anjo.
Perante o escândalo, a Diocese de Santarém veio relembrar as regras para utilização dos espaços religiosos e as normas que ditam que os eventos a realizar ali não devem ser contrários à santidade do lugar. A Diocese disse e eu acho muito bem! As igrejas são para cantar hossanas não são para se ouvir riffs de uma guitarra eléctrica. Cada macaco no seu galho! É por isso que sempre achei estranho ver o padre Borga a cantar e tocar música pop em ambientes profanos e até em televisões heréticas (já para não falar do comuna padre Fanhais); ou os diabólicos Scorpions a gravarem concertos no Convento do Beato. Por este andar, um dia destes tínhamos missas em lupanares e dança do varão em sacristias. Para mim só faltou mesmo à Diocese acabar o seu comunicado com um sonoro “não havia necessidade”, mas não se pode ter tudo...
Em Almeirim recriou-se a célebre tomatina espanhola mas num ambiente menos caliente e com menos salero, porque nessa coisa das festanças os nuestros hermanos são insuperáveis se comparados com os soturnos portugueses. Mesmo assim deu para lavar as vistas e chegar à conclusão que certas moçoilas ficam ainda mais apetitosas cobertas de ketchup. Espero que a organização não ceda aos críticos e justiceiros do teclado e que, para o ano, disponibilize também batatas fritas e imperial fresquinha para acompanhar o molho de tomate.
Se há coisa que prezo nos partidos políticos é a disciplina de voto. Porque sem disciplina não há partido que resista. Um partido é isso mesmo, uma organização sectária que luta pelas suas causas, projectos e ideias. Além disso, só se vincula a eles quem quer. E só integra as listas e ocupa lugares de decisão política quem aceita candidatar-se em nome desse partido. Porque quem não gosta não come, apesar dos ‘tachos’ servidos por alguns partidos serem muito apetitosos.
Vem todo este relambório a propósito de uma notícia da semana passada que teve como protagonista um vereador do PSD na Câmara de Santarém chamado Nuno Serra, também deputado na Assembleia da República, que votou alinhado com o PS e ajudou a chumbar a criação de mais um lugar de vereador a tempo inteiro no executivo camarário liderado pelo seu partido. Foi uma espécie de ressurreição do antigo bloco central, embora a título individual, que permitiu um saboroso desfecho aos socialistas escalabitanos tão carentes de êxitos.
Perante esse episódio confesso que fiquei na expectativa para ver o que vai fazer o desalinhado Nuno Serra quando for a votação do próximo Orçamento de Estado na Assembleia da República. Uma coisa é certa: se alinhar novamente com o PS garante pelo menos os seus cinco minutos de fama a que todos têm direito.

Uma despedida à francesa do
Serafim das Neves

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