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Cosmopolita Serafim das Neves
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Cosmopolita Serafim das Neves

Edição de 21.11.2018 | E-mails do Outro Mundo

Gosto muito daquelas saudáveis disputas que levam a que uma estrada de cem metros só seja arranjada até ao metro cinquenta porque a partir dali começa outra paróquia e a outra paróquia é que tem que resolver o problema e, além do mais, há que mostrar que a paróquia empreendedora é bem melhor que a paróquia do lado, até porque, para além dos cinquenta metros de estrada alcatroados, também comprou um sino para a igreja que só dá badaladas para o pessoal da terra e faz uma festa gastronómica de feijão com couves enquanto os vizinhos, coitados, não passam das couves com feijão.
Não sei se alguma freguesia da região vai declarar a independência mas não me admirava nada que isso acontecesse. Toda a gente sabe que a nossa terra é a melhor do mundo, que é linda e que cheira bem, mesmo quando há mais pecuárias que casas. E que só invejosos, mesquinhos e broncos é que podem pensar o contrário. Mesmo que não haja independências, espero que num futuro próximo, quando se liquidarem as uniões de freguesias que tantos prejuízos causaram à saúde mental de algumas pessoas, as mesmas possam ser desmembradas criando-se pelo menos mais três por cada uma existente.
Se há quinze ou dezasseis sindicatos na polícia e outros tantos na ferrovia, porque é que uma terra como Valhelhas, por exemplo, não pode ser desmembrada em três ou quatro canteiros com uma casinha ou duas em cada um?
Com o Bloco de Esquerda a lutar por ser Governo, pus-me a pensar no lugar que caberá ao outrora vereador da câmara do Entroncamento, Carlos Matias, agora deputado. Tal como o saudoso Vasco Cunha do PSD que era da Comissão da Agricultura quando esteve em S. Bento, também Matias está naquele departamento. Será que é ele o novo Capoulas dos Santos?
Sei que nunca ninguém o viu de enxada nas unhas ou a guiar um moto cultivador mas quantas e quantas vezes o ouvimos já reclamar hortas sociais para o pessoal vergar a mola a sachar nabos?!! E sachar nabos, cebolas e couves ou plantar coentros é saudável e é uma bela forma do proletariado complementar os salários de miséria sem gastar a massa da prestação do carro em alimentação, porque está tudo muito caro.
Uma empresa de limpezas de Riachos não consegue arranjar pessoal para fazer o trabalho. Algumas empresas de construção civil já nem concorrem a obras públicas pelo mesmo motivo. Pelo que me apercebo esta coisa da diminuição do desemprego está a causar mais mossa do que a crise.
Claro que também pode ser uma questão de salários e de horas de trabalho, para já não falar do esforço que exige andar a limpar escadas. Seja como for, o problema ainda é mais grave porque, pelo que oiço dizer, nem os refugiados querem vergar a mola aqui, preferindo ir fazê-lo para a Alemanha. E preferem eles e os portugueses, claro, que lá sempre pagam mais.
A política saudável de pôr toda a gente a andar de bicicleta nas cidades não está a resultar. Nas vilas e aldeias só há velhotes que para além de já não terem pedalada, também não trepam para o selim de uma bicicleta porque têm medo de cair e de partirem uma perna ou um braço. Além disso quase todos têm carro e o mesmo acontece com os restantes cidadãos. Os autarcas que fazem aquelas ciclovias poderiam dar o exemplo indo todos os dias de bicicleta para a câmara, mas não vão. E se o presidente da minha terra anda de carro porque é que quer que eu ande de bicicleta? Está parvo, ou quê?!!
Saudações motorizadas
Manuel Serra d’Aire

Cosmopolita Serafim das Neves

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