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Não se identifica e diz-se discriminado porque quem o trata se protege “em demasia”
Portador do vírus da sida anda há cinco anos a tentar deixar o consumo de heroína.
António (nome fictício) tem 43 anos e está na associação Picapau, na Póvoa da Isenta, Santarém, há dois meses e meio, mas não é a primeira vez que ali está. Viciado em heroína, entrou na instituição, pela primeira vez em 2013 e volta de vez em quando devido a recaídas.
Ex-delegado sindical, originário do Cacém, mas a viver em Santarém há mais de uma década, conta-nos que é seropositivo há 20 anos. Não sabe qual foi o foco de contágio mas admite que possa ter sido originado pela partilha de seringas ou pelo contacto íntimo com uma prostituta.
Diz que foi ele quem tomou a iniciativa de fazer o teste do VIH por saber que estava num grupo de risco. Era casado e é pai de duas meninas (de 17 e 11 anos) que tiveram acompanhamento especial desde a nascença. “Felizmente nem elas nem a mãe sofreram contágio”, conta com ar aliviado.
“Há 20 anos foi um choque, hoje é uma doença crónica. Não é muito diferente da diabetes, por exemplo. Noutros tempos tinha que tomar três ou quatro comprimidos, mas a ciência evoluiu de tal forma que agora basta uma toma diária. Há alguns efeitos secundários associados, como a fadiga e o cansaço, mas nada por aí além”, diz-nos calmamente.
António refere que recebeu o apoio da família desde o início e, em tom irónico, diz que onde se sente mais discriminado é nas visitas regulares ao hospital. “No dia-a-dia não andamos com a palavra seropositivo escrita na testa, por isso ninguém sabe e não somos tratados de forma diferente mas o caso muda de figura quando vou ao hospital. É o único sítio onde me sinto discriminado. Quando lá chego já sabem que tenho a doença e, na minha opinião, tomam medidas preventivas em excesso. Calçam luvas em cima de luvas e não têm nenhum pudor em disfarçar isso”, desabafa.
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