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Encontrar ajuda nos corredores do Hospital de Vila Franca é um passo para as melhoras
Deolinda Coelho e Fátima Nunes são duas das voluntárias da Liga dos Amigos do Hospital Vila Franca de Xira

Encontrar ajuda nos corredores do Hospital de Vila Franca é um passo para as melhoras

“Voluntários da Liga sentem-se recompensados com um sorriso de quem ajudam”.

Edição de 19.12.2018 | Sociedade

Fátima Nunes veste a bata amarela dos voluntários da Liga dos Amigos do Hospital Vila Franca de Xira há uma década. Com ela são trinta e quatro nesta altura. Diz que só deixará de ajudar os outros se não tiver forças para isso.
“Dedico a maior parte do meu tempo a ajudar os doentes deste hospital e não há recompensa melhor que receber um sorriso, um abraço ou uma palavra de agradecimento”, explica.
Começou o seu percurso no voluntariado depois de a empresa onde trabalhava falir. Com 64 anos, Fátima Nunes, diz que não tinha paciência para ficar em casa sem fazer nada e que a decisão de se juntar ao grupo de voluntários da Liga dos Amigos do Hospital Vila Franca de Xira a fez sentir-se útil.
Às 08h00 da manhã entra pelas portas do átrio em direcção à sala que a administração do hospital disponibilizou para a Liga. Verifica no plano de horários se todas as alas estão asseguradas pelos restantes voluntários, veste a bata amarela e dá início a mais um dia vivido em prol dos outros.
Àquela hora, na sala de espera da urgência já se serve o ‘café com leite’ - um dos serviços prestados pelos voluntários da Liga dos Amigos. É Eugénia Pereira quem está ao serviço. Calmamente vai perguntando aos utentes que aguardam a entrada na triagem se querem um chá, bolachas ou café. Dá resposta aos pedidos e de sorriso no rosto entrega-os. Não espera ouvir um agradecimento embora isso suceda. Para ela o facto de saber que contribui para amenizar o sofrimento ou angústia de algumas pessoas é suficiente.
“Muitos destes doentes estão sozinhos e alguns ainda não comeram nada. Há quem esteja à espera que o carrinho das Batas Amarelas passe para tomar o pequeno-almoço”, conta.
No piso zero, Deolinda Coelho, 72 anos, encaminha um doente para a consulta. A decisão de se entregar ao voluntariado veio depois da reforma, em 2013. Três horas e meia, dois dias por semana, é o tempo que dedica aos utentes. “Não é muito tempo porque há mais voluntários mas é o suficiente para fazer a diferença e ajudar quem precisa”.
Deolinda Coelho faz o serviço de guia, encaminhando quem vai a uma consulta a tirar a senha certa e a indicar o balcão de atendimento. “Parece simples mas há muitas pessoas que se sentem perdidas aqui”, explica.
Sabe onde estão as cadeiras de rodas caso sejam precisas e também não se acanha a ajudar aqueles que têm mobilidade reduzida a alcançar o elevador. “Aparecem pessoas com bastantes dificuldades, que não vêm acompanhadas por familiares. Têm mobilidade reduzida, dificuldades de leitura ou entendimento. Não sabem para que piso ou corredor têm de se deslocar e é para isso que estou cá, para as orientar”, acrescenta.
É nos corredores do Hospital Vila Franca de Xira, que se sente mais útil. “Aqui recebe-se muito mais do que se dá. Sinto-me gratificada pela ajuda que presto aos utentes e isso preenche-me completamente”, diz.
Para além do serviço de guia, do ‘café com leite’, almoço, acompanhamento no serviço de psiquiatria e cabeleireiro, a Liga dos Amigos opera em estreita colaboração com o Serviço Social do hospital.
Enquanto O MIRANTE faz a reportagem, Fátima Nunes recebe a informação de que na urgência está um menor de seis anos que precisa de roupas. Prontamente vai até à sala da Liga e procura entre as roupas doadas, aquelas que poderão servir.
“Recebemos doações de roupa e depois fazemos a selecção daquelas que se encontram em bom estado para poderem ser distribuídas por quem precisa, seja de bebé, criança ou adulto”, nota. “Muitas mães que acabam de dar à luz não vêm preparadas com enxoval e nós doamos aquilo que temos”, complementa.
Ao longo do ano, a Liga dos Amigos “vai fazendo bancas de vendas no átrio do hospital e em eventos no concelho, como a Feira de Outubro, para angariar dinheiro que se destina às despesas correntes dos serviços de pequenos-almoços, compra de medicamentos, roupas, bens alimentares e outros equipamentos que os utentes necessitem, como, por exemplo, cadeiras de rodas”, explica Porfírio Silva, presidente da Liga.
Na época natalícia, os voluntários da Liga distribuem alimentos pelas pessoas necessitadas que passam pelo hospital. “Podemos não saber a quem se destinam ou nunca mais voltarmos a ver essa pessoa mas fica o sentimento de missão cumprida”, frisa.

Ser voluntário exige responsabilidade
Não basta ter vontade de ajudar e fazer uma inscrição para isso. Ser voluntário na Liga dos Amigos do Hospital Vila Franca de Xira, implica ser responsável, ter disponibilidade para cumprir os horários (entre as 08h00 e as 17h00, de segunda a sexta-feira), não estar doente ou ter uma doença que possa colocar os utentes em risco e ter perfil para desempenhar o serviço.
“O grupo, actualmente formado por 34 voluntários, já chegou a ter 60. Tem sido cada vez mais difícil cativar a entrada de novas pessoas. Mesmo as que vão entrando não chegam para colmatar a ausência das que saem por idade avançada ou porque por outros motivos já não podem continuar”, explica o presidente da Liga, Porfírio Silva.
A maioria dos voluntários está na casa dos 60 anos e 90 por cento são mulheres. Porfírio Silva diz que há uma tendência para as mulheres se disponibilizarem mais facilmente para este tipo de serviço e conta que durante muitos anos, os voluntários da Liga eram exclusivamente mulheres. “A vontade de continuar a prestar esta ajuda é muita e o nosso desejo é conseguirmos captar mais voluntários, para chegarmos a outras alas hospitalares”, conta o dirigente.

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