Retrospectiva 2018 | 14-02-2019 14:49

José Andrade esteve preso em Caxias por defender uma propriedade da família

José Andrade esteve preso em Caxias por defender uma propriedade da família
José Andrade é Personalidade do Ano a Título Póstumo

Foi presidente da CAP, Confederação dos Agricultores de Portugal, mas saiu quando achou que a mesma se tinha transformado numa mera agência de serviços. Esteve preso em Caxias depois do 25 de Abril por se opor à ocupação de uma herdade da família. Foi uma figura incontornável da agricultura portuguesa.

José Joaquim Lima Monteiro de Andrade, engenheiro agrónomo, faleceu no dia 3 de Abril de 2018, com 69 anos de idade. Foi fundador do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas em Santarém e responsável pela mudança da Feira Nacional de Agricultura do centro da cidade para aquele local.

José Andrade era um homem de luminosa inteligência, como fez questão de referir o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sua mensagem de condolências, logo após o falecimento, tendo acrescentado o facto de ter sido sempre uma figura incontornável na defesa da agricultura portuguesa.

A vida de José Andrade também se cruzou com a política, tendo sido um dos mais jovens deputados na primeira legislatura após o 25 de Abril, entre 1976 e 1980, eleito pelo PPD/PSD. Era então um recém-licenciado com 25 anos de idade. Enquanto deputado fez parte de uma comissão restrita do PPD, constituída por três elementos, que conseguiu negociar com o ministro António Barreto, do PS, a primeira reforma agrária em 1977. Foi vereador da Câmara de Santarém, pelo PSD, na oposição, entre 2002 e 2005.

O facto de se ter formado em Agronomia em 1974, numa época conturbada, foi o principal motivo para ter uma participação activa na área associativa e política. Esteve preso dois meses em Caxias, já depois do 25 de Abril, porque defendeu uma propriedade do pai, em Évora, que tinha sido ocupada por homens armados.

José Andrade nasceu a 8 de Maio de 1948, no Vale de Santarém, concelho de Santarém, porque a sua mãe sempre fez questão de ter os filhos na casa dos pais mas viveu a sua vida em Almeirim. Foi presidente da CAP, Confederação dos Agricultores de Portugal, entre 1996 e 1999, mas já antes estava ligado à organização.

Abandonou a CAP porque entendia que a mesma devia ser mais reivindicativa e não uma mera agência de serviços. Numa entrevista a O MIRANTE, em 2008, dizia que a confederação tinha deixado de defender os agricultores e perdido influência política.

José Andrade teve também uma intensa actividade como desportista. Foi jogador de futebol no clube do seu coração, o Sporting, no escalão de juniores. Foi vice-campeão de ralis no primeiro campeonato da modalidade realizado em Portugal.

Dizia que não era pessoa de criar inimizades nem de guardar rancores. Adorava viajar e viver sem horários rígidos. Conheceu vários países da Europa, América Central e África. Tinha o sonho de viver em S. Tomé e Príncipe, por ter ficado apaixonado pelas paisagens e pela paz que o país lhe transmitia. Incluía-se no grupo de portugueses que considerava masoquistas por gostarem de viver num país que os tratava mal.

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