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O melhor e mais barato medicamento do mercado chama-se exercício físico
Jorge Costa, à direita, é o corredor mais novo num grupo com uma média de idades a rondar os 70 anos

O melhor e mais barato medicamento do mercado chama-se exercício físico

Prevenir excesso de peso e doenças, melhorar a auto-estima e reduzir o stress. Actividade física e saúde sempre estiveram relacionadas, talvez por isso o Dia Mundial da Actividade Física e o Dia Mundial da Saúde, ambos instituídos pela Organização Mundial da Saúde, se celebrem em dias consecutivos, 6 e 7 de Abril, respectivamente. A inactividade física é o quarto principal factor de risco de morte no mundo, com o sedentarismo a ser responsável por inúmeras doenças como hipertensão arterial, diabetes ou obesidade. O MIRANTE apressou o passo e acompanhou um grupo de “veteranos” das corridas para quem a única competição que interessa ganhar é a da saúde.

Edição de 10.04.2019 | Sociedade

Veteranos que correm para afastar o stress, perder peso e ganhar saúde

Pouco passa das nove da manhã, a hora mudou há um dia e as nove ainda parecem oito, sobretudo porque o frio aperta e o céu carregado de nuvens promete chuva a qualquer momento. Nada disto impede um grupo de veteranos, na sua maioria sexagenários, de já estar no campo de jogos da Escola Superior Agrária de Santarém para uma sessão matinal de exercício físico.
António Silva é o primeiro a chegar, tem 79 anos e é o mais velho do grupo que adoptou o nome de sentido duplo “Com Dores”, que tanto dá para aludir às dores que os atletas possam sentir como à sua capacidade de se elevarem nos ares como os condores.
São cerca de uma dúzia e correm entre oito e dez quilómetros, quatro dias por semana. Às segundas, quartas, sextas e domingos é fácil notar a sua presença no campo da escola agrícola, pois envergam t-shirts cor de laranja com o nome “Com Dores” inscrito à frente e com uma imagem de um condor em voo nas costas. O nome foi da autoria de Franklim Gondarez, de 70 anos, um dos dinamizadores do grupo há mais de uma década.
Os atletas ocasionais vão chegando a pouco e pouco. José Freire, de 68 anos, é um professor reformado que chegou a jogar futebol mas que cedo percebeu que tinha mais jeito para o atletismo. Fernando Tavares, de 57 anos, ainda está no activo, mas gosta de acompanhar os colegas reformados. “O convívio, a amizade e o bichinho do desporto são os motivos que nos trazem aqui dia sim, dia não”, conta. A seu lado António Silva brinca, dizendo que as corridas lhe dão mais apetite para o almoço.
Quase todos os elementos estiveram de alguma forma ligados ao desporto e ao atletismo em particular. António Silva foi atleta federado e chegou a ser director desportivo da secção de atletismo do União de Santarém, na década de 80. No geral todos correm para se sentir melhor, para terem mais e melhor saúde.
José Limeiro, de 57 anos, diz que está na pré-reforma. Trabalhou durante anos na indústria cervejeira e teve problemas de saúde relacionados com excesso de peso. “Continuamos a comer como se precisássemos de muita energia para gastar mas na verdade a maior parte das actividades hoje em dia não implicam um grande dispêndio de energia, por isso estamos a ficar gordos”, revela. Começar a correr não foi fácil, conta: “Houve muitas dores (diz entre sorrisos), mas a dinâmica de grupo entusiasma-nos e consegui perder 20 kg”.
António Almeida Silva, de 68 anos, Luís Teodoro (65), José Castro (64), Joaquim Madeira (74) e Júlio Henriques (69) também se apresentam para o treino. Todos se conhecem, por força do trabalho ou por vizinhança. Jorge Costa é um dos últimos a chegar, mas na pista está sempre na posição da frente. Conhecido como a lebre, Jorge é o benjamim do grupo. Tem 48 anos e gosta de puxar pelos mais velhos. Trabalha numa pastelaria da cidade no turno da tarde.
A boa disposição é transversal a todo o grupo, quer nos dias de treino quer nos dias em que entram em competições onde participam como equipa. Já marcaram presença em eventos como a Scalabis Night Race, em Santarém, a Corrida das Lezírias, em Vila Franca de Xira, a Corrida das Pontes, em Coruche, ou a Corrida das Fogueiras, em Peniche. Normalmente participam com seis ou sete corredores, metade corre mais e incentiva os outros a cortar a meta. Aqui não interessam as classificações, apenas a participação, explica José Limeiro que lamenta apenas não terem um patrocinador que garantisse, pelo menos, o pagamento das inscrições nas provas.
Enquanto correm entoam o cântico “Contra o stress e contra as dores/vem correr com os Com Dores”, numa melodia que lembra a recruta militar.

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