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Central do Pego deve ser encerrada até 2022
Central Termoeléctrica do Pego produz electricidade a partir de carvão desde 1993

Central do Pego deve ser encerrada até 2022

Governo quer acabar com produção de energia a partir de carvão por razões ambientais. A ideia de encerramento da Central Termoeléctrica do Pego tem vindo a ser falada nos últimos tempos. Mas agora o ministro do Ambiente foi claro ao dizer taxativamente que a central tem de fechar e que em 2022 já não a quer a produzir electricidade a partir de carvão.

Edição de 29.05.2019 | Economia

A Central Termoeléctrica do Pego, que produz electricidade a partir de carvão, acaba o contrato de aquisição de energia em Novembro de 2021 e o futuro de uma empresa importante para a economia do concelho de Abrantes e da região é incerto. Não se sabe ainda o que vai acontecer aos trabalhadores, sobretudo quadros especializados. Já se desconfiava que o Governo está a aguardar pelo fim do contrato para acabar com este tipo de produção, devido às pressões ambientais. Mas agora o ministro do Ambiente e Transição Energética, José Pedro Matos Fernandes, não deixa margem para dúvidas e até antecipa o processo de encerramento.
Quando se preparava para participar no Segundo Congresso intitulado “Adaptação às Alterações Climáticas da Região de Coimbra”, o ministro não podia ser mais claro: “A boa notícia é que a central do Pego vai mesmo encerrar muito pouco depois de 2020. Estamos a trabalhar com o objetivo de, em 2022, essa central já estar encerrada”. Esta possibilidade tem vindo a ser equacionada pela gestão da central, que está nas mãos de capitais estrangeiros. Em Janeiro deste ano começou a perceber-se que a produção de energia a partir de combustíveis fósseis estaria em causa, quando o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, aflorava este cenário, dizendo que se estavam a estudar formas de aproveitar a unidade, criada há vinte e oito anos.
Na audição da comissão parlamentar de inquérito às rendas da energia, a 24 de Janeiro, Nuno Ribeiro da Silva confessou que os accionistas da Tejo Energia estão a equacionar todos os cenários. O presidente da Endesa Portugal revelava também que a situação causa preocupação por se tratar de uma indústria relevante na zona de Abrantes. Algumas das hipóteses que estão a ser equacionadas pela Tejo Energia, detida pela Trustenergy (da qual fazem parte a japonesa Marubeni e a francesa Engie) e a multinacional Endesa, de capitais espanhóis, passam pela biomassa florestal ou energia solar.
A central do Pego é uma das duas únicas centrais a carvão no país, sendo que a outra é em Sines. O que parece é que a central no concelho de Abrantes deve ser a primeira em que o governo quer dar o exemplo de preocupação ambiental. O ministro, referindo-se a Sines, diz que a sua vontade era encerrar a central o quanto antes, mas ressalva que isso só pode acontecer “no tempo em que tivermos energias renováveis a produzir mais quantidade, por razões de segurança de abastecimento”, disse. No congresso, José Pedro Matos Fernandes recordou a necessidade de reduzir em 85% as emissões de carbono em Portugal até 2050.
Durante muitos anos a central do Pego tem tido um papel de reforço da capacidade de fornecimento eléctrico, sobretudo nas alturas em que as barragens não conseguem ter capacidade suficiente. Desde que foi criada, a unidade funcionou 75 por cento do tempo em pleno. É considerada a central a carvão mais moderna em operação na Península Ibérica, possuindo dois grupos geradores de energia eléctrica.

Central do Pego deve ser encerrada até 2022

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