Se há doentes nos corredores e refeitórios dos hospitais é preciso ampliá-los
O novo hospital de Vila Franca de Xira tem sido por diversas vezes considerado um dos melhores do país. Desde que começou a funcionar em 2013, no âmbito de uma parceria público privada estabelecida com o grupo José de Mello Saúde melhorou significativamente a prestação de cuidados de saúde na sua área de abrangência.
Pessoalmente acho que a divulgação dos problemas de espaço no hospital a alguns dias de ser anunciado o prolongamento ou rescisão do contrato, foi um golpe baixo e visou apenas gerar maior aceitação da decisão de não renovação que, presumo, já estava tomada.
Os problemas de falta de espaço mencionados no relatório da Entidade Reguladora da Saúde eram do conhecimento dos responsáveis da saúde. Se o hospital foi mal dimensionado, e foi, a responsabilidade foi do Ministério da Saúde e não do grupo José de Mello Saúde. Se os problemas de falta de espaço ainda não foram resolvidos, a responsabilidade é do Ministério da Saúde.
Sendo a Ministra da Saúde contra as PPP (Parcerias Público Privadas), deve resolver o problema com lisura de processos e não através destas tentativas de intoxicação da opinião pública. Falar em doentes internados em refeitórios e casas de banho sem usar sequer aspas, é condenável.
Os tais “refeitórios” são salas onde os doentes que se podem movimentar podem usar para receber as visitas, para ler, para conviver e para tomar as refeições sem estarem sentados nas camas. As “casas de banho”, eram apenas uma casa de banho desactivada, ou seja, não estava lá ninguém a fazer as necessidades, a tomar banho ou a lavar os dentes como a utilização da expressão pode levar a imaginar.
É sabido que muitos hospitais e não apenas o de Vila Franca de Xira, têm problemas de espaço. Essa situação é agravada com os casos sociais. Doentes que após a alta médica se mantêm no hospital por falta de alternativas de resposta social, nomeadamente na 3ª idade, ocupando camas que fazem falta para doentes. O MIRANTE já fez notícias e reportagens sobre este assunto, nomeadamente no Centro Hospitalar do Médio Tejo.
Sou a favor do Serviço Nacional de Saúde mas não sou contra os privados. Na minha opinião o SNS poderia ser melhor se os governos em vez de darem prioridade aos rendimentos, privilegiassem o investimento. Ou seja, se os governos assumissem claramente, ao contrário do que fazem, que a saúde é para os doentes e não é para médicos, enfermeiros e outros funcionários públicos. Se não sacrificassem o SNS aos horários de 35 horas e às reformas antecipadas, por exemplo.
Expulsar os privados do Serviço Nacional de Saúde por uma mera questão ideológica e continuar a apostar nesta política, só vai trazer mais despesa e menos eficácia e, pelo que vejo, é isso que vai acontecer.
Fernando de Carvalho
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