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Aterro de Azambuja põe vizinhança em debandada e a vender as suas casas
António Cartaxo

Aterro de Azambuja põe vizinhança em debandada e a vender as suas casas

Fedor proveniente do aterro de Azambuja agravou-se nas últimas semanas levando alguns moradores a abandonar as suas casas. Outros puseram-nas à venda. Todos apontam o dedo à Câmara de Azambuja por nada fazer para os ajudar.

Edição de 08.01.2020 | Sociedade
Maria da Conceição Cartaxo

O aterro de resíduos industriais de Azambuja, gerido pela Triaza, tem estado a receber lixo orgânico em maiores quantidades e a largar odores insuportáveis. Os moradores mais próximos garantem que há anos que é assim, mas agora a situação agravou-se. Alguns dizem que perderam a esperança e puseram as casas à venda, outros já as abandonaram. É o caso de António Cartaxo, que reside temporariamente em Santarém e foi à última reunião de câmara pedir que o executivo municipal se ponha do lado da população e lute para encerrar o aterro. “Temos de defender a saúde pública e a imagem da terra. Não podemos permitir isto”, disse.
O presidente do município, Luís de Sousa (PS), confirmou que o aterro tem estado a receber resíduos biodegradáveis, como restos de comida, em maior quantidade e que essa situação tem agravado os maus cheiros e a presença de aves no local. Quanto a encerrar o aterro diz apenas que a autarquia não tem poder para tal.
O munícipe lembrou o autarca que há dois anos reuniram, tendo ficado prometido que alguma coisa se iria fazer para atenuar o odor. “Mas nada mudou, não atenuaram cheiros nenhuns e, pior, agora temos os pássaros por cima das nossas casas”, referiu.

“Ninguém quer um aterro à porta”
Na vila o assunto tem dominado as conversas mas é Maria da Conceição Cartaxo e a sua família quem mais sofre com o odor nauseabundo. “Todos os dias temos de levar com aquele cheiro e fugir para dentro de casa. Quem é que consegue viver assim? Não temos condições para continuar a viver nas nossas casas”, constata Maria da Conceição Cartaxo. Fátima Patrício concorda. “O cheiro infiltra-se dentro de casa. É horrível”, desabafa.
Maria da Conceição Cartaxo reside na sua casa, a mais próxima do aterro, há mais de 42 anos. Agora quer vendê-la por 200 mil euros, apesar de ter consciência que “não vai ser fácil porque ninguém quer ter um aterro à porta”. “Tivemos um senhor interessado na semana passada, mas quando lá chegou perguntou logo que cheiro era aquele”, conta. Na família há vários elementos asmáticos, situação que se tem agravado com o fedor. Mas teme sobretudo pela saúde do neto bebé. “Está sempre com alergias, não podemos continuar ali”, lamenta.
A indignação de António Cartaxo tem crescido desde 2017, ano em que a estrutura começou a funcionar, sem que nenhuma entidade tenha salvaguardado os interesses dos moradores. “Estamos bastante indignados pela forma como temos sido tratados pela Câmara de Azambuja, por não nos ter consultado e à nossa frente tenha sido instalada uma lixeira”, disse ao executivo municipal. Além de já ter abandonado a sua habitação, conta que tinha uma casa arrendada, mas os inquilinos foram embora “devido aos maus cheiros”.

Município admite que cometeu um erro
O presidente da Câmara de Azambuja admitiu pela primeira vez que “foi um erro” a Câmara de Azambuja ter atribuído interesse público à instalação do aterro naquele local permitindo acelerar o processo de licenciamento emitido com o parecer da Coordenação do Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo. Apostado em tomar novas diligências, após a visita da CCDR ao aterro, Luís de Sousa diz que vai pedir uma reunião ao ministro do Ambiente.
O aterro de resíduos não perigosos de Azambuja foi instalado em terrenos onde tinha funcionado uma antiga pedreira, explorada pela Zubareia. A ideia, lembrou Luís de Sousa, era que ali pudesse ser feita uma recuperação paisagística e ambiental. Na altura era presidente do município Joaquim António Ramos (PS) e Luís de Sousa fazia parte do executivo PS, tendo votado a favor aquando da atribuição do interesse público à instalação daquela estrutura.

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