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Autarca de Samora Correia confirma aterro ilegal em terreno de instituição que dirige
Augusto Marques, presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia

Autarca de Samora Correia confirma aterro ilegal em terreno de instituição que dirige

Augusto Marques confirmou a existência de um aterro ilegal em terrenos da Fundação Padre Tobias. Apesar do terreno ser Reserva Ecológica Nacional foram despejadas no local centenas de toneladas de terras e inertes.

Edição de 15.01.2020 | Sociedade


Centenas de toneladas de terras e inertes foram despejadas numa zona classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN), junto ao rio Sorraia, no Porto Alto, confirmou na sexta-feira, 3 de Janeiro, o presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia.
Augusto Marques disse à Lusa que corresponde à verdade a denúncia feita pelos eleitos do movimento independente Mais para Todos (que se candidataram na lista do PSD), na Assembleia de Freguesia de Samora Correia, de existência de um aterro naquele local sem qualquer tipo de licenciamento ou autorização da Agência Portuguesa do Ambiente, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e da Câmara de Benavente.
O autarca, que é também tesoureiro da Fundação Padre Tobias, proprietária do terreno em causa, disse que foi dada uma autorização para uma deposição temporária de terras, tendo o empreiteiro procedido a um aterro sem disso dar conhecimento à instituição. E admitiu que devia ter sido mais cauteloso, garantindo que irá assumir as consequências que resultarem dos trâmites legais do processo. Segundo Augusto Marques, as terras colocadas ilegalmente no terreno vão ser removidas e está em curso uma avaliação sobre a possibilidade de recuperação do forno.
Os dois eleitos do Mais para Todos afirmam, num comunicado, que a Fundação Padre Tobias, a Junta de Freguesia de Samora Correia e a Câmara de Benavente, ambas de maioria CDU, devem dar uma explicação aos munícipes e aos cidadãos, considerando muito grave que instituições com “responsabilidades acrescidas no cumprimento da lei e na obrigação de protegerem o ambiente” tenham permitido a situação.
Augusto Marques afirmou que a deposição de terras foi autorizada por ter sido “apalavrado” o arrendamento do terreno a um empresário que quer construir na zona um ecoresort e um parque de caravanas, sendo que o contrato não chegou a ser assinado.
Como refere o comunicado do Mais para Todos, a obra foi embargada em Outubro depois da denúncia da ocorrência dos trabalhos de terraplanagem no terreno e da destruição de um forno, que os eleitos independentes referem como sendo de construção romana (séculos III e IV), citando um historiador samorense, mas que um parecer da arqueóloga do município assegura ser de construção contemporânea.

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