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Alterações da próstata não são sempre sinónimo de cancro
Paulo Vasco, Paulo Corceiro e Tiago Neves, organizadores das jornadas de urologia "Cruzar Olhares"

Alterações da próstata não são sempre sinónimo de cancro

Garantir ferramentas e conhecimentos que permitam aos médicos de medicina geral e familiar avaliar cada caso antes do envio dos pacientes para uma consulta de urologia é o objectivo das jornadas “Cruzar Olhares”. Uma iniciativa que vai na segunda edição e que este ano deu a conhecer o que o futuro reserva para esta área.

Edição de 20.05.2020 | Sociedade

“Se levarem daqui pelo menos uma ideia que sirva para ajudar a encontrar a melhor solução para o doente já é muito bom”. Foi assim que Paulo Corceiro se dirigiu às largas dezenas de médicos que assistiram na sexta-feira, 6 de Março, às segundas jornadas de urologia “Cruzar Olhares”, na Quinta das Vendas, no Entroncamento.
Organizada pelos urologistas Paulo Corceiro, Paulo Vasco e Tiago Neves, a iniciativa teve como público-alvo os médicos de medicina geral e familiar, sobretudo os que ainda se encontram nos anos de formação da especialidade, e pretende ajudar os clínicos de medicina geral e familiar a adquirirem mais informação que lhes permita resolver algumas patologias evitando o envio de pacientes para a consulta da especialidade de urologia.
Na mesa redonda dedicada à hiperplasia benigna da próstata (HBP), com apresentações que se focaram nas queixas dos doentes, nos exames que complementam o diagnóstico, no que esperar da terapêutica médica e no papel da medicina geral e familiar, Laurinda Leitão, da Unidade de Saúde Familiar Planalto, de Santarém, reforçou a importância de questionar o doente e não esperar que seja este a queixar-se. “É uma questão frequente, mas os utentes desvalorizam. Não fazem queixas. Se não há queixa, não há diagnóstico e se não há diagnóstico não há tratamento”, refere a médica, comentadora dessa mesa redonda.
Paulo Dinis, palestrante, diz que o que leva os doentes à consulta ainda é o medo de ter cancro na próstata, embora grande parte das vezes a fisiopatologia dos sintomas urinários seja mais complexa e nem sempre sinónimo de cancro.
Vontade de urinar é a perturbação do sono mais frequente
A bexiga como causa ou consequência dos sintomas associados à HBP deu o mote à segunda ronda do debate com intervenções sobre as perturbações miccionais, a noctúria (sono interrompido pela necessidade de urinar) e as infecções urinárias. Paulo Vasco, organizador e interveniente, referiu que está ultrapassado o paradigma anterior que considerava a noctúria um sintoma de HBP e de velhice. “Apesar de ser mais frequente com o avançar da idade, não é um problema associado apenas à velhice”, referiu acrescentando que levantar de noite para urinar é a perturbação de sono mais frequente, sobretudo a partir dos 50 a 60 anos, tanto em homens como em mulheres.
A encerrar o painel da manhã, Frederico Furriel falou dos novos desafios da urologia constituídos por três grandes patamares: invasividade mínima; individualização do medicamento; e atingir alvos terapêuticos de forma mais precisa. O médico referiu as nanopartículas, a miniaturização, a engenharia de tecidos, a bioimpressão de órgãos, a robótica e a inteligência artificial, lembrando contudo que na base de todas as questões dos urologistas está “o desejo ancestral de ver dentro da bexiga”. Paulo Corceiro reforçou que nos próximos tempos vão aparecer soluções que agora parecem distantes como a biópsia líquida ou os testes genéticos.
Durante a tarde foram discutidas “Grandes questões em 15 minutos”, como a criança e a urologia, a cólica renal ou o controverso PSA (antígeno prostático específico, utilizado para diagnóstico do cancro da próstata) e debatidos casos clínicos.
As jornadas da urologia têm o apoio científico da Associação Portuguesa de Urologia (APU), da Associação Portuguesa da Neurourologia e Uroginecologia (APNUG) e da Sociedade Portuguesa de Andrologia (SPA). Contam ainda com a colaboração da CUF Santarém e da indústria farmacêutica.

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