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Pais não podem declarar guerra aos telemóveis dos filhos
Daniel Sampaio defende o uso do telemóvel em casa e na escola com regras negociadas entre pais, professores e adolescentes

Pais não podem declarar guerra aos telemóveis dos filhos

Quatro turmas de alunos do Agrupamento de Escolas do Bom Sucesso, em Alverca, estiveram duas horas a ouvir Daniel Sampaio falar sobre a relação que se deve ter com os telemóveis. Não espiar os telemóveis dos filhos, não proibir a sua utilização na sala de aula e distinguir momentos em que podem ou não ser usados em casa foram algumas das ideias defendidas pelo psiquiatra.

Edição de 20.05.2020 | Sociedade

O telemóvel é uma espécie de extensão do corpo dos adolescentes. Carregam-no no bolso o tempo todo e dormem com ele à cabeceira da cama. Seria até difícil para um pai imaginar o dia de um filho adolescente sem a presença deste dispositivo. Foi esta a preocupação que levou o professor e psiquiatra Daniel Sampaio a escrever o livro “Do Telemóvel para o Mundo – Pais e Adolescentes no tempo da Internet” e foi sobre as ideias que nele defende que falou para mais de uma centena de alunos do Agrupamento de Escolas do Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, num debate realizado a 6 de Março.
Daniel Sampaio defende que o telemóvel e a internet devem ser entendidos positivamente, como uma nova forma de diálogo entre pais e filhos. Se o universo digital traz riscos associados? O psicólogo entende que sim, por isso conclui que as regras devem ser definidas desde os primeiros contactos do adolescente com este meio de comunicação que, defende, não deve começar antes dos dez anos.
Durante o debate, e respondendo às perguntas colocadas pelos jovens, surpreendeu e foi aplaudido depois de afirmar que “os pais não podem fazer guerra aos telemóveis dos filhos e não podem espiá-los, têm é que criar regras”. Para Daniel Sampaio, tanto pais como filhos podem e devem usar os telemóveis dentro de casa, mas defende que têm de existir momentos, como as horas das refeições e antes de dormir, em que estes aparelhos devem ser desligados. E explica porquê: “No caso do sono, por exemplo, o telemóvel é prejudicial. A luz do ecrã interfere com o cérebro que se prepara para dormir e o descanso sai prejudicado”.

Telemóveis na sala de aula? Psiquiatra diz que sim
Dirigindo-se aos docentes presentes Daniel Sampaio explicou que os adolescentes da actualidade sofrem de um défice de atenção, maior do que há 20 anos, sendo esse um motivo que exige mudança no ambiente da sala de aula. “O professor não pode ser a única fonte de conhecimento nem dar aulas como há 60 anos”, referiu. Para depois apontar como solução a urgência de pôr os alunos a discutir, a contestar os professores e “se possível, a utilizar os telemóveis para trabalhar”.

“É usar-se a tecnologia ao serviço da pedagogia”
Da plateia fizeram-se ouvir as vozes de alguns professores resistentes à ideia e de alunos a defendê-la. Na verdade, explicou o psiquiatra, a permissão do uso dos aparelhos digitais dentro da sala de aula só resulta se os professores concordarem com ela e estabelecerem regras de utilização em negociação com os alunos. “Não podemos negar, há professores que proíbem, outros que deixam usar livremente e os que fecham os olhos”, disse. E concluiu: “O telemóvel pode ser um instrumento de aprendizagem e motivação se houver regras”.

Pais não podem declarar guerra aos telemóveis dos filhos

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