uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
É preciso coragem para emigrar e mais ainda para não voltar às origens
foto DR Susana Teixeira emigrou com 25 anos para a Suíça alemã

É preciso coragem para emigrar e mais ainda para não voltar às origens

Susana Teixeira é licenciada em desporto e autora de um livro. Trabalha em hotelaria na Suíça há cinco anos desde que saiu de Benavente. Percebeu que emigrar não é um mar de rosas, mas diz-se feliz por não ter desistido de se adaptar ao país a que agora chama de casa e a faz dar valor à palavra mais portuguesa de todas: Saudade.

Há cinco anos Susana Teixeira fez as malas e viajou de Benavente para a Suíça. Hoje diz que a estabilidade financeira e a tranquilidade do país que a recebeu lhe dá certezas que continuará por lá durante muitos anos. Mas a realidade é que “emigrar não é um mar de rosas”. É preciso coragem para ir e mais ainda para não voltar quando o plano não corre como desejado.
Tinha 25 anos e um trabalho como professora de Actividades Extra-Curriculares (AEC) de Educação Física no Alentejo quando decidiu ir para a Suíça. Inicialmente era para amealhar algum dinheiro nas férias de Verão mas acabou por ficar. Foi seduzida por um convite de uma amiga e três dias após entrar na Suíça já estava a trabalhar num restaurante. Mas algumas semanas depois começou a viver um pesadelo. “A minha adaptação foi muito difícil. Não sabia falar a língua e quem me ajudou inicialmente deixou de me dar suporte. Senti-me muito sozinha”, conta.
Partilhou casa durante cinco meses com trabalhadores da construção civil. Todos homens, todos emigrantes. O quarto parecia estar em obras, não tinha Internet, nem sequer cozinha. À janela era obrigada a conviver com o barulho infernal dos clientes de uma discoteca que funcionava no rés-do-chão do prédio. No local de trabalho repreendiam-na por não saber falar a língua. Chorava todos os dias, mas não contava aos pais o pesadelo que vivia, só à irmã e à melhor amiga.
Hoje é chefe da secção de buffet numa empresa de alimentação. A restauração não era uma área desconhecida de Susana, que chegou a ajudar os pais no restaurante que geriam em Santo Estêvão. “Nunca fui uma menina como as outras. Chegava da escola e ia trabalhar para ajudar os pais”, recorda, para justificar que nunca teve problemas em atirar-se ao trabalho. Mas o facto de não conviver com outros jovens levou-a a refugiar-se na escrita e na leitura.
Susana Teixeira revela que lhe agrada o clima da Suíça e apesar do frio adora quando neva. Respondendo à pergunta se o que ganha chega para fazer uma almofada financeira, a ribatejana diz que sim e acredita que “em Portugal, mesmo trabalhando como professora, não ia conseguir” gerar a mesma poupança. Por isso, as saudades da família vão continuar a matar-se nas férias ou através de chamadas de vídeo apesar da mãe lhe continuar a pedir para voltar.

Escreve livro para fugir à solidão
Susana Teixeira estaria nesta altura de férias em Portugal a apresentar o seu livro recém-editado, “Nunca Desistas de Ti”. Mas a pandemia trocou-lhe as voltas. As 213 páginas resultam de uma paixão pela escrita que surgiu aos 13 anos incentivada pela professora de Português. Mas o livro nasceu sobretudo de dois motivos: a solidão que sentiu nos primeiros tempos de emigração e a morte da melhor amiga, que um dia lhe disse: não desistas de ti. “Quando vim para a Suíça a única bagagem que trouxe foram as palavras dela e a escrita voltou a ser o meu refúgio”, conta.

É preciso coragem para emigrar e mais ainda para não voltar às origens

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido