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HiroChina Stone

Não consigo evitar o recurso a um neologismo aglutinador da tragédia humana, conjugado com a adopção do termo “stone” tão em voga (como se Fátima também fizesse parte da Commonwealth), para titular o meu (nosso) descontentamento. Olho para o título que impera sobre estas palavras e atrevo-me a dizer que não encontro toponímia mais assertiva para designar o local da desgraça. Como em Hiroshima, temos cratera, Oriente e pó. Aqui, porque a história não se repete, é o dinheiro, em vez do urânio, que sulca as entranhas da terra.

É o Oriente que nos visita, em mandarim, ao invés do Enola Gay ocidental. É o pó que nos vai cobrindo em vez das cinzas que, ali, sobraram. Deixo aos leitores a imagem da HiroChina que outros não vêem, tapados, talvez, pelo deslumbramento do apocalipse ou, diria, pela ignorância desse deslumbramento que impede o reconhecimento deste desastre ambiental. Ao contrário de outros, onde o município de Boticas pontua, os nossos representantes autárquicos prescindem da legítima defesa dos seus e da terra que deveria pertencer-lhes. Ouvi, em assembleia de freguesia de Fátima, a defesa (que considero inteiramente legítima) das empresas para benefício da economia local, não ouvi, com a mesma veemência, a defesa da história, da vida e do ser.

Constatei, ao invés, que desde uma visão redutora, atribuindo dores de parto a um monstro já parido, até à afirmação de uma quase inexistência de agravo, também irrompeu a voz de alguém dizendo que não se pode ter sol na eira e chuva no nabal (como se esse não fosse o natural desejo da nossa ruralidade. Enfim!). Ao contrário, registo com agrado (e sem qualquer incómodo porque nunca fui, nem sou, filiado em partido ou movimento político) o interesse que o MOVE demonstrou ao eleger o tema como prioritário, na sua agenda política, permitindo-me olhar para o espectro político e lamentar a quase ausência de outros.

Resta-me desejar que não deixemos para a Nova Zelândia o ónus da defesa ambiental porque, ao ritmo da perfuração, serão os nossos antípodas a ficar reféns da nossa passividade.

Horácio Castanheira

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