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Sindicato fala em ilegalidades no despedimento colectivo na Central de Cervejas
Nem o forte temporal que se abateu em Vialonga travou greve e protesto dos trabalhadores da fábrica da Central de Cervejas

Sindicato fala em ilegalidades no despedimento colectivo na Central de Cervejas

Porta-voz do SINTAB diz que a justiça tem de se pronunciar sobre essa medida e pede reunião com ministra do Trabalho.

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) vai agir judicialmente para tentar travar o processo de despedimento colectivo de 48 trabalhadores anunciado pela Central de Cervejas e Bebidas de Vialonga, que produz marcas como a Sagres, Heineken e Águas do Luso.

A informação foi avançada pelo porta-voz do SINTAB, Rui Matias, a O MIRANTE, durante a greve promovida pelos trabalhadores na manhã de 25 de Novembro. Entende o sindicato que poderá haver ilegalidade no despedimento que vai ser realizado, já que os trabalhadores despedidos estavam efectivos e vão ser substituídos por outros afectos a uma empresa de trabalho temporário.

“Esta decisão apanhou-nos a todos de surpresa e, por isso, a nível de ilegalidade o tribunal decidirá. Mas para já não temos dúvidas de que se trata de uma imoralidade. Que Natal vão ter estes trabalhadores?”, questiona o dirigente sindical, que desafia o grupo Heineken a explicar o que o futuro reserva para os restantes trabalhadores. “Há gato escondido com rabo de fora”, teme o dirigente.

O fim do vínculo laboral dos 48 trabalhadores terá lugar a 5 de Fevereiro. “Empresas como a Central de Cervejas não tem necessidade absolutamente nenhuma de despedir esta gente para depois contratar outros trabalhadores a firmas externas. Desafiava a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, a responder aos pedidos de reunião do sindicato e que tivesse uma palavra com estes trabalhadores e o contexto social que aqui temos”, apela.

“Não sei o que vai ser da minha vida”

A maioria dos trabalhadores está transtornada com a situação, alguns com mais de três décadas ao serviço. “Não sei o que vai ser da minha vida”, confessa Raúl Dias, que com 58 anos está demasiado velho para entrar novamente no mercado de trabalho.

Nem o forte temporal que se abateu sobre Vialonga na manhã em que os trabalhadores fizeram greve abalou a moral das duas dezenas de trabalhadores que se juntaram à porta da empresa. Fonte oficial da empresa diz que a greve registou uma adesão pouco acima de 13%, limitando-se a confirmar a existência de um processo de reajustamento, já partilhado com os parceiros sociais e autoridades competentes, que abrange “alguns colaboradores da área de operações da fábrica de Vialonga” tendo a empresa manifestado a vontade de chegar a acordo com os envolvidos.

Alguns trabalhadores vão aceitar as condições da empresa mas outros ainda não rubricaram o acordo. “Sabemos que a pandemia afectou todas as empresas e a Central de Cervejas também. Não há como rebater os números. Mas também é verdade que nos últimos 20 anos a empresa teve lucros milionários e está a fundamentar este despedimento apenas com uma pandemia que durou um ano. Se a empresa está a oferecer um acordo com os trabalhadores melhor que a lei é porque tem dinheiro para os manter cá”, acusa Rui Matias.

A marca cervejeira holandesa Heineken, que em Portugal controla a fábrica de Vialonga, já tinha anunciado em Fevereiro a intenção de despedir oito mil pessoas em toda a sua operação, na sequência de um plano de reestruturação lançado em Outubro pelo grupo. A poupança anunciada pela produtora de cerveja permitirá poupar dois mil milhões de euros até ao final de 2023.

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