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Sílvia Duarte: uma treinadora de para-karaté que ensina os valores do respeito e da amizade
Sílvia Duarte é treinadora de para-karaté e dá aulas a mais de meia centena de atletas em Santarém e Alpiarça

Sílvia Duarte: uma treinadora de para-karaté que ensina os valores do respeito e da amizade

É a única mulher que pertence aos quadros da Federação Nacional de Para-karaté, uma modalidade de combate que integra pessoas com necessidades especiais. A O MIRANTE, Sílvia Duarte diz que todas as pessoas merecem ter as mesmas oportunidades e que os desportos de combate são uma ferramenta de defesa pessoal e ajudam a desenvolver valores como a ambição, amizade, respeito e capacidade de superação.

Sílvia Duarte, 34 anos, é a mentora do para-karaté em Portugal e trabalha como terapeuta psicomotricista em várias escolas de Santarém. Aliou a sua formação académica ao amor pelas artes marciais e abriu o primeiro ‘dojo’ inclusivo e adaptado a jovens portadores de deficiência. A paixão pela modalidade e o facto de achar que a sua prática pode fazer a diferença na vida de muitas famílias foram dois dos motivos que também a fizeram abraçar os cargos de directora do departamento de karaté adaptado da Federação Nacional de Karaté (FNK) e de júri da Federação Mundial de Karaté (FMK).

Sílvia Duarte é mãe de dois filhos e conta a O MIRANTE que começou a praticar karaté com cinco anos, em Santarém, de onde é natural. Fundou o projecto “Karaté para todos” quando percebeu, tendo em conta os conhecimentos que adquiriu como terapeuta, que podia desenvolver a modalidade e ajudar crianças com necessidades especiais.

Actualmente treina, em Santarém e Alpiarça, mais de meia centena de atletas, sendo que mais de uma dezena necessita de cuidados especiais. “Estava a desenvolver um projecto com jovens em situação de risco em Lisboa e apercebi-me que o karaté funcionava como factor de motivação para comparecerem nas sessões de terapia”, explica, acrescentando que as primeiras crianças com quem trabalhou sofriam de autismo.

UM PROJECTO INTEGRADOR

O “Karaté para todos” foi evoluindo devido ao trabalho de promoção que Sílvia Duarte foi realizando: organizou iniciativas para idosos com o apoio de algumas entidades municipais; promoveu aulas de defesa pessoal para vítimas de violência doméstica em colaboração com a Associação de Apoio à Vítima (APAV); conseguiu que alguns canais de televisão lhe dessem tempo de antena e, por causa disso, recebeu o convite da FNK para ser formadora e depois directora da secção de para-karaté.

Actualmente corre o país de norte a sul para promover a modalidade e demonstrar como é que ela pode ser uma mais-valia na integração e inclusão das pessoas com necessidades especiais. “Houve sempre vontade dos treinadores fazerem parte do projecto mas não existiam ferramentas nem estratégias suficientes para o colocar em prática adequadamente. Hoje já existem em diversas áreas e penso que a sociedade está muito mais inclusiva”, sublinha.

Foi por sua iniciativa que se realizou o primeiro campeonato nacional de para-karaté e se criou a selecção nacional, projectos dos quais se sente bastante orgulhosa. A nível europeu e mundial Sílvia Duarte vai aos campeonatos classificar o grau de deficiência de cada atleta, um dos factores de avaliação do desempenho. “É uma tarefa exigente porque há atletas que simulam um grau de deficiência mais profundo para serem beneficiados na pontuação”, lamenta.

Defesa pessoal não é violência

Sílvia é a única mulher nos quadros da FNK. Inicialmente sentiu alguns olhares por parte dos homens que, na sua maioria, eram muitos mais velhos do que ela. Mas com a força do seu trabalho e competência, rapidamente conquistou o respeito de todos. “Há poucas mulheres a praticar desportos de combate, mas as que cá estão têm estatuto e muita determinação. Nunca me senti inferiorizada por ser mulher porque a competência é o factor determinante em qualquer sector de actividade. Quem for competente ninguém pode ter nada a apontar”, afirma, com convicção.

O tema da violência é muito comum quando se fala em desportos de combate, mas Sílvia Duarte garante que estas modalidades têm de ser vistas em primeiro lugar pelo lado da defesa pessoal. A treinadora vinca que ensina os seus alunos a defenderem-se em situações em que têm a sua integridade física em risco aconselhando-os, no entanto, a fugirem sempre que possível de confrontos físicos.

"Karaté para Todos" é o nome do projecto que Sílvia Duarte criou e organizou algumas aulas de defesa pessoal para vítimas de violência doméstica
Sílvia Duarte: uma treinadora de para-karaté que ensina os valores do respeito e da amizade

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