Barreiras continuam a aquecer luta política em Santarém
Os deslizamentos de terras nas encostas de Santarém são tão frequentes como as posições e acusações políticas sobre um problema estrutural que tem afectado a cidade ao longo dos tempos. Agora foi a vez do PCP acusar PS e PSD de não terem avançado com soluções, embora nos últimos anos se tenham executado morosas e dispendiosas obras.
A concelhia de Santarém do PCP acusou PSD e PS de não terem avançado com soluções para estabilizar as barreiras nas encostas de Santarém, alertando que a falta de intervenção coloca populações e infraestruturas em risco sempre que ocorrem intempéries mais intensas. Em comunicado, a concelhia comunista de Santarém afirma que as tempestades recentes voltaram a expor as instabilidades das encostas, criticando o PSD e PS por terem acumulado “promessas” sem concretizar o projecto de reabilitação das barreiras.
“No meio de promessas, estudos e anúncios adiados, faltou sempre concretizar um projecto integrado de reabilitação das barreiras que garantisse a estabilidade das encostas e a segurança das populações”, sustentou o partido. No entanto, é bom recordar que nos últimos anos decorreu uma morosa e dispendiosa primeira fase de estabilização das encostas, que incidiu em várias frentes, na Ribeira de Santarém e na chamada encosta de Santa Margarida, onde se registou há anos um grave deslizamento de terras que cortou durante alguns anos a EN114, um dos principais acessos à cidade.
As encostas de Santarém voltaram a revelar sinais graves de instabilidade nas últimas semanas, situação agravada pelas chuvas intensas e pelas cheias no rio Tejo, que saturaram os solos e provocaram movimentos de massa em várias zonas do concelho. O PCP argumenta que cada episódio de mau tempo demonstra os “custos da inacção” e alerta que estes custos “podem recair sobre a segurança das populações e a mobilidade do concelho”.
O partido defende que a mudança do traçado da Linha do Norte permitiria reduzir a pressão sobre as encostas e, simultaneamente, “modernizar” o principal eixo ferroviário do país, além de abrir caminho “a uma requalificação urbana na zona da Ribeira de Santarém”. O PCP defende ainda a deslocalização da estação ferroviária para um local com melhores condições “de segurança e acessibilidade” – intenção defendida também pelo presidente da câmara - e avançar com investimento público que “permita uma reabilitação definitiva das encostas”.
Obras necessitam de financiamento nacional
O vereador Pedro Gouveia, eleito pela coligação PSD/CDS, afirmou na reunião de câmara de 9 de Fevereiro que o município está a “monitorizar desde o primeiro dia” a situação das encostas, sublinhando que estas “já eram uma preocupação antiga” e que a instabilidade recente veio reforçar “a necessidade de acompanhamento permanente”.
Segundo o autarca, a câmara contactou o projectista responsável pelo Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém (PGEES), o geotécnico Alexandre Pinto, professor no Instituto Superior Técnico, que se disponibilizou para se deslocar ao local e apoiar o município na avaliação dos riscos, com o apoio da Força Especial de Protecção Civil e com equipas operacionais de drones, que recolheram informação destinada a definir a estratégia de intervenção.
O vereador explicou que esta avaliação permitirá determinar “o que fazer em cada uma das situações”, que descreveu como “todas diferentes”, bem como estabelecer prioridades de intervenção. Adiantou ainda que o município está a preparar futuras candidaturas a financiamento nacional, uma vez que o investimento necessário para estabilizar as barreiras será “muito considerável”.
Numa publicação das redes sociais, o presidente de Santarém, João Leite, sublinhou que o município enfrenta “um problema estrutural”, cuja resposta exige uma intervenção “à escala nacional”, garantindo que o executivo camarário está a trabalhar “com responsabilidade, determinação e sentido de urgência”.
Mais deslizamentos recentes
Entre os episódios mais recentes relacionados com a instabilidade das encostas de Santarém, destaca‑se o deslizamento de terras que atingiu o parque de estacionamento do miradouro de Atamarma, no centro histórico, onde parte do muro de sustentação colapsou para as barreiras, obrigando à retirada de viaturas. Também a Estrada de Alfange, que liga a cidade à povoação ribeirinha de Alfange, foi interdita ao trânsito automóvel e pedonal após um deslizamento ocorrido no talude da encosta das Portas do Sol. Uma situação que já tinha ocorrido há cerca de duas décadas.

