Vale das Mós saiu à rua contra a agregação e exige freguesia própria em Abrantes
População saiu à rua para pressionar Assembleia da República e acusa eleitos locais de não cumprirem promessas.
Vale das Mós saiu à rua numa demonstração pública de descontentamento e reivindicação política. O Grupo de Apoio à Criação da Freguesia promoveu na sexta-feira, 20 de Fevereiro, uma concentração junto às instalações da junta para exigir a desagregação da União das Freguesias de São Facundo e Vale das Mós e a reposição da freguesia autónoma. O movimento, que se assume como “unitário e popular”, integra militantes de várias correntes partidárias e cidadãos sem filiação política. “Não é uma luta partidária, é uma causa da população”, sublinha Manuel Vitória, um dos dinamizadores, que acusa responsáveis políticos de estarem a criar “manobras dilatórias” num processo que, garante, já foi aprovado pelos órgãos autárquicos competentes.
Com cerca de 500 eleitores e entre 600 a 700 habitantes, Vale das Mós foi criada como freguesia autónoma a 4 de Outubro de 1985, por desanexação de São Facundo. Em 2013, no âmbito da reforma administrativa do território, passou a integrar a união de freguesias. Em Abril de 2022, a própria união de freguesias manifestou intenção de avançar para a separação. A assembleia de freguesia aprovou a desagregação por unanimidade e o processo formal foi entregue em Dezembro desse ano. Também a câmara municipal e a Assembleia Municipal de Abrantes deram parecer favorável. Contudo, o pedido não deu entrada na Assembleia da República dentro do prazo do regime simplificado, ficando de fora da lista das 160 freguesias que avançaram. A falha abriu uma nova fase de incerteza política. Manuel Vitória questiona agora a proposta de realização de um referendo defendida pelo presidente da União de Freguesias. “Quando foi para agregar não foi preciso referendo e agora, para desagregar, é?”, atira, deixando no ar dúvidas sobre coerência e vontade política.
O grupo já enviou uma carta à comissão parlamentar responsável pelos processos de criação e reposição de freguesias, reiterando os fundamentos que considera suficientes para a recuperação da autonomia administrativa. “Nós não queremos uma freguesia por capricho. Queremos proximidade, queremos eleitos que nos ouçam e decisões que respondam às nossas necessidades”, afirma Manuel Vitória, garantindo que a concentração foi apenas “a primeira forma de luta”.

