Terreno para casa mortuária em Coruche não reúne consenso
O executivo da Câmara de Coruche aprovou a compra de um prédio rústico em Courela do Paúl, por 145 mil euros, numa decisão que dividiu a oposição quanto à localização e ao custo do investimento para acolher uma casa mortuária.
O executivo da Câmara de Coruche aprovou, na reunião de 18 de Fevereiro, a aquisição de um prédio rústico com 2,1 hectares, situado em Courela do Paúl, na Rua Nossa Senhora do Castelo, pelo valor de 145 mil euros, com vista à construção de uma casa mortuária na vila.
A proposta foi apresentada pelo presidente do município, Nuno Azevedo (PS), que sublinhou a inexistência de um equipamento municipal desta natureza na vila de Coruche, destacando a necessidade de criar um espaço sem identidade religiosa, dotado de condições de conforto e acessibilidade, capaz de acolher familiares e amigos em celebrações fúnebres. O autarca referiu que o valor acordado com os proprietários é inferior em cerca de 53 mil euros ao montante fixado na avaliação oficial, que apontou para 198.073 euros.
O Movimento Volta, pela voz do vereador Dionísio Mendes, reconheceu tratar-se de uma necessidade amplamente identificada e assumida como prioritária, lembrando que constava do seu programa eleitoral, mas levantou reservas quanto à localização e à proporcionalidade do investimento. O vereador considerou que a zona escolhida é periférica, com reduzida circulação e fraco enquadramento urbano, defendendo que uma infraestrutura desta natureza deve garantir boas acessibilidades, estacionamento adequado e condições de segurança, sobretudo em período nocturno.
Também o vereador Francisco Gaspar (PSD) manifestou oposição à proposta, questionando o investimento de 145 mil euros num terreno maioritariamente rústico e com limitações urbanísticas. O vereador alertou para a reduzida frente urbana do terreno, situado entre o cemitério e o acesso ao Centro de Geriatria de Santo Antonino, bem como para o declive acentuado e a inexistência de ligação a outras vias públicas. E considerou que a construção da casa mortuária poderá condicionar a utilização futura da área sobrante, defendendo maior clarificação quanto ao eventual aproveitamento do espaço remanescente, nomeadamente para expansão do cemitério.
O presidente da câmara reconheceu que a localização de uma casa mortuária nunca é, por regra, consensual, mas salientou que a proximidade ao cemitério cria um enquadramento adequado para este tipo de equipamento. Nuno Azevedo admitiu ainda que o terreno poderá, no futuro, permitir a expansão do cemitério de Santo Antonino, actualmente próximo da sua capacidade máxima, e recordou que, sendo considerado espaço de cemitério, poderá igualmente viabilizar a eventual instalação de um crematório, caso essa venha a ser uma opção estratégica para o concelho.
A proposta foi aprovada com três votos favoráveis do executivo socialista, a abstenção dos três vereadores do Movimento Volta e um voto contra do PSD.

