Sociedade | 26-11-2004 17:30

Jovem com doença rara recebeu cadeira de rodas elétrica

Um jovem de 17 anos que sofre de uma doença rara recebeu na sexta-feira uma cadeira de rodas eléctrica, há muito ansiada, faltando agora encontrar quem o acolha, já que a família não tem condições para o manter.Carlos Daniel, que vive em Santarém, sofre de epidermólise bulhosa distrófica, uma doença hereditária que regista apenas meia centena de casos em Portugal.Apesar de provocar ferimentos que o obrigam a andar sempre ligado, bem como a atrofia das mãos e dos pés, a doença de Carlos não o impede de escrever e desenhar.A Câmara Municipal de Mação está mesmo a preparar uma exposição de desenhos seus, por iniciativa de Massimo Esposito, que foi seu professor.No entanto, o jovem descobriu recentemente as dificuldades de encontrar um projecto, ou mesmo uma oportunidade de vida, quando viu gorarem-se todos os esforços da equipa do Centro de Saúde de Santarém que o acompanha para encontrar uma instituição onde possa viver e fazer algumas das coisas de que gosta, como escrever, desenhar ou aprender inglês.Segundo Manuela Soares Lopes, a assistente social do Centro de Saúde que o tem acompanhado, os esforços para encontrar uma instituição que o acolha têm sido dificultados por não existirem em Portugal locais que aceitem um jovem da sua idade e com a sua doença.Geralmente, as instituições existentes destinam-se ou a pessoas com deficiência mental, a crianças ou a idosos, explicou à Agência Lusa."O ideal para o Carlos seria encontrar uma família de acolhimento, mas, se ela não aparecer, pelo menos uma instituição que lhe permita ter o projecto de vida que neste momento não tem", disse.Com a entrega da cadeira de rodas eléctrica, que aconteceu esta tarde na Farmácia Veríssimo, em Santarém, - que contribuiu oferecendo o kit de luzes e conseguindo um preço mais baixo - graças ao empenhamento do Centro Distrital de Segurança Social, o Carlos passará a ter mais mobilidade, mas fica a faltar a oportunidade de encher os seus dias, frisou.A doença de Carlos não o impediu de completar a escolaridade obrigatória nem de viver, no último Verão, o seu "sonho de Cinderela" num campo de férias nos Estados Unidos exclusivamente destinado a crianças com doenças de pele."Vivo no Ribatejo, em terra de cavalos, mas foi preciso ir aos Estados Unidos para andar de cavalo", disse à Lusa, confessando que esta era uma das actividades que mais gostaria de fazer.LUSA

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