Sociedade | 12-02-2006 10:22
Comandante dos Bombeiros de Minde demitiu-se
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Minde (Alcanena) apresentou dia 1 de Fevereiro a sua demissão, através de carta entregue ao presidente da direcção, que é também presidente da junta de freguesia.Luís Pires confirmou a O MIRANTE ter pedido a demissão mas escusou-se a fazer mais comentários sobre o assunto. “Neste momento prefiro não falar, é melhor ficar calado”, disse, visivelmente agastado com a situação.Na base do pedido de demissão do comandante estará a situação actual em que vivem os bombeiros de Minde, após o incêndio que em Dezembro danificou seriamente o quartel e queimou grande parte do equipamento, ambulâncias e veículos de combate ao fogo.A onda de solidariedade que saltou para as páginas dos jornais acabou por morrer na praia e os 70 bombeiros que compõem o corpo, em dias de piquete, têm dormido num contentor, em condições pouco dignas.Há cerca de duas semanas o comandante dos Bombeiros de Minde já tinha demonstrado ao nosso jornal todo o seu descontentamento em relação aos problemas da corporação – “os meus homens estão a ser tratados como uns refugiados”. Referiu-se ainda à alegada inércia do presidente da direcção, António Fresco, em resolver rapidamente a questão, dizendo que havia coisas que poderiam já estar melhores “se houvesse vontade” para tal.O presidente da direcção dos Bombeiros de Minde confirmou ao nosso jornal ter recebido a carta de demissão de Luís Pires, antes da reunião que pôs frente a frente bombeiros e a seguradora responsável pela cobertura dos prejuízos - a Império/Bonança.António Fresco não se mostrou no entanto muito preocupado com o pedido de demissão, afirmando que ele próprio poderá, em última instância, assegurar o comando da corporação. “Tenho formação académica e militar para ficar à frente da corporação”, disse o presidente, acrescentando que a sua principal preocupação neste momento é arrumar a casa. Questionado sobre se a demissão de Luís Pires não poderá deixar os bombeiros com a moral ainda mais em baixo, António Fresco responde com uma frase que deixa entender o mal estar existente entre os dois responsáveis – “É capaz de até ser salutar”.A mesma opinião não tem Joaquim Chambel, comandante distrital de bombeiros e protecção civil. Afirmando não ter ainda conhecimento oficial da demissão de Luís Pires, o responsável distrital mostrou-se convicto de que a posição assumida pelo comandante “não favorece em nada” a situação que a corporação vive actualmente.
Mais Notícias
A carregar...


