Sociedade | 14-04-2009 08:17
Moradores dos Casais das Comeiras estão “saturados” das fossas e exigem esgotos
Os moradores da extremidade norte dos Casais das Comeiras, concelho da Azambuja, continuam sem esgotos. Há 46 anos que Fátima Narciso vive sem saneamento básico. Nasceu nos Casais das Comeiras e nos últimos anos ficou a ver os esgotos passarem ao lado. A sua casa é uma das quatro que ficam localizadas para lá da igreja da aldeia, o ponto que marca o fim da conduta de esgotos da autarquia. A rua onde vive está dividida em dois: um lado que pertence ao concelho da Azambuja e o outro que pertence ao concelho do Cartaxo. “A nossa vida é muito complicada. Temos de fazer imensos esforços porque a fossa enche num instante”, lamenta Fátima, que tem uma pequena indústria montada no local. “O cano da câmara, situado por baixo da igreja, está a pouco mais de 500 metros. E o que me revolta foi não terem feito esgotos até aqui, uma vez que tenho uma industria aprovada e com alvará emitido, e que precisa de fazer descargas frequentes”, refere. Um dos seus vizinhos, Pedro Mata, diz que a situação é “vergonhosa” e também não compreende porque motivo a instalação de esgotos não avançou mais um par de metros, “pelo menos até estas casas que estão aqui junto à igreja”. “Já tentei fazer uma ligação da minha casa para o cano da câmara mas não me deixaram. A justificação que me deram foi que, como recebemos água canalizada da câmara do Cartaxo, é com eles que temos de assinar o contrato de esgotos”, lamenta. Fátima diz desconhecer essa possibilidade mas afiança que não teria capacidades financeiras para suportar essa operação.“Que eu saiba qualquer pessoa pode solicitar uma ligação ao cano da câmara da Azambuja, basta pagar. O inconveniente é que isso pode sair muito caro aos munícipes”, justificou a O MIRANTE o presidente da câmara da Azambuja, Joaquim Ramos. “O concelho da Azambuja ainda é um dos concelhos que está melhor servido em termos da sua rede de saneamento básico. No caso particular dos Casais das Comeiras, já está contratualizada a segunda fase do esgoto doméstico para esse local que, com a nova concessão de águas, em Maio, poderá dar o primeiro passo com vista à sua resolução”, afiançou o autarca. Enquanto isso, o dia-a-dia dos moradores não muda. “A câmara demora entre três semanas e um mês a vir despejar a fossa. Temos de pagar perto de 10 euros. Quando cá vêem trazem um tractor a cair aos pedaços, sem condições nenhumas. Fica tudo cheio de porcaria, portas, paredes e chão. Quando começa a sair porcaria das tampas e a cheirar mal nas casas de banho sabemos logo que está na hora de despejar”, lamenta Fátima. À semelhança de todos os moradores da rua, também ela consome água vinda do Cartaxo. “Os Casais das Comeiras começaram a ter água há 4 ou 5 anos. Eu já tenho há mais de 10 anos. Da Azambuja não tenho nada, sinto-me como se fizesse parte do Cartaxo”, desabafa a nossa interlocutora.
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