Sociedade | 24-07-2012 00:08

Três anos depois ainda há gente com medo de entrar no Centro Cultural do Bom Sucesso em Alverca do Ribatejo

Três anos depois ainda há gente com medo de entrar no Centro Cultural do Bom Sucesso em Alverca do Ribatejo

É o maior e mais moderno centro cultural do concelho de Vila Franca de Xira. Custou 2,5 milhões de euros. Foi construído dentro de uma encosta e a solução não agradou a muita gente da localidade que passava à porta mas não queria entrar. Carlos Conceição, presidente do Centro Social e Cultural do Bom Sucesso, que gere o espaço, não baixa os braços e já começa a sentir que as pessoas estão a começar a interessar-se pelas actividades promovidas no local.

O Centro Cultural do Bom Sucesso está literalmente enterrado numa encosta da pequena localidade da freguesia de Alverca. Desde há três anos que a direcção do Centro Social e Cultural do Bom Sucesso, que gere o espaço, tem tentado "desenterrar" o interesse da população para que pelo menos entre nas instalações. Não tem sido fácil porque diz o presidente da colectividade, Carlos Conceição, as pessoas criticavam o modelo de construção e até tinham medo de passar a porta de entrada. Como aconteceu com um morador há 13 anos na localidade que só há umas semanas ganhou coragem para visitar as instalações. As coisas têm estado a melhorar fruto dos esforços que a colectividade tem vindo a fazer para dinamizar o espaço e divulgar as actividades. Um trabalho de grande amor à camisola já que o dinheiro está contado ao cêntimo e não dá para grande coisa. O centro tem tentado agradar à população e já percebeu que em parte só o consegue com prejuízo financeiro. "Promovemos eventos à medida das nossas possibilidades. Se cobrarmos um euro de entrada as pessoas acham que o espectáculo não tem qualidade. Se cobrarmos quatro euros as pessoas acham caro e não vêm. Decidimos fazer muitos espectáculos grátis, esperando que as pessoas consumam alguma coisa no bar", explica. O centro promove várias iniciativas, como peças de teatro, dança, cafés-concerto e actividades em parceria com a academia Paula Manso."Estamos a fazer caminho. Temos transmitido a ideia de que agora temos instalações melhores, perdemos um sítio para se jogar snooker e cartas mas temos teatro, escola de música, dança, ginástica e ballet", explica Carlos Conceição. Alverca é conhecida por ser um dormitório de Lisboa, mas o presidente da colectividade considera que "mesmo nos dormitórios as pessoas interessam-se por cultura". Por ano são feitos espectáculos que atraem 10 mil espectadores. O centro vive das receitas do bar e das quotizações dos 650 sócios pagantes. O edifício construído pela Câmara de Vila Franca de Xira foi inaugurado em Abril de 2009 e custou 2 milhões e meio de euros, depois de sofrer uma derrapagem de 360 mil euros. "Ser o maior centro cultural do concelho dá-nos uma responsabilidade acrescida. A população do Bom Sucesso merecia um espaço destes", garante Carlos Conceição, que gostaria apesar das boas condições ter mais espaço para a escola de música. "É uma luta que temos tido com a câmara. Há aqui duas ou três instituições que estão a ocupar espaços que não usam, ou usam muito poucas vezes. E temos 22 alunos da nossa escola de música numa sala de 20 metros quadrados", lamenta. Carlos Conceição critica o município pelo facto de raramente usar o espaço. "Tem aqui um edifício fantástico e faz aqui pouca coisa. Poderia descentralizar as actividades e trazer uns espectáculos ao Bom Sucesso. A câmara não traz aqui nada porque tem o mesmo problema que nós temos, quer fazer as coisas mas não tem som nem luzes", lamenta.

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