Instituição em Fátima é o lar de crianças que ninguém quer
Joaquim Guardado é o tutor de cerca de 80 deficientes profundos rejeitados pela família ou cujos familiares não têm condições para os criar.
Stefano tem um ano de vida e chegou ao Centro de Apoio a Deficientes João Paulo II, em Fátima, há alguns dias. O bebé chegou depois de ser sinalizado pela Segurança Social. Foi abanado repetidamente e com violência por um dos pais ao ponto de as "sacudidelas" lhe terem causado uma deficiência profunda e irreversível.
Stefano é o mais novo dos cerca de 80 "filhos" do advogado e antigo autarca de Pombal, Joaquim Guardado, director do centro e tutor destas crianças que estão "no fim da linha". São deficientes profundos que "ninguém quer", nem os próprios pais, ou cujos progenitores não têm capacidade financeira (e não só) para os criar.
A maioria dos 192 utentes nunca se irá levantar da cama. Os felizardos são aqueles que andam (são dois) ou que se podem deslocar de cadeira de rodas (pouco mais de duas dezenas). Muitos têm deformidades físicas extremas. "A primeira vez que aqui entrei levei um murro no estômago", confessa Joaquim Guardado a O MIRANTE.
Foi há dez anos e agora não quer sair. "Sou apaixonado pelo que faço. Gosto deles. Aliás, é preciso gostar muito deste trabalho para o fazer bem", sublinha. A ajudá-lo tem um "exército" de 200 funcionários, sem contar os voluntários. Esta é uma casa gigante - a maior do país. Pertence à União das Misericórdias e tem a especificidade de receber utentes de todas as zonas.
Para recriar um ambiente familiar, o Centro João Paulo II encontra-se dividido por módulos. Cada um deles alberga 12 rapazes ou 12 raparigas. Funcionam como pequenas casas dentro da grande casa. Cada módulo é gerido por uma equipa que recebe um orçamento para gerir à sua maneira.
* Reportagem completa na edição semanal de O MIRANTE.