O incansável guardião do Tejo
Arlindo Consolado Marques denuncia a poluição no rio desde 2014.
Foi nas redes sociais que Arlindo Consolado Marques começou a denunciar uma realidade que teme poder acabar com o rio Tejo enquanto ecossistema: a poluição.
O ambientalista nasceu em Ortiga, freguesia do concelho de Mação, há 51 anos, vive no Entroncamento, é guarda-prisional em Torres Novas e guarda-rios à beira Tejo, de Vila Velha de Rodão a Lisboa, sempre com a ajuda dos pescadores que o alertam para os focos de poluição.
Já percorreu muitos quilómetros até Espanha e por isso garante que "da ribeira do Açafal para cima a água é limpa". Arlindo, neto de pescador, cresceu à beira do Tejo. "Conheço a água, bebia dela, andava nos barcos", lembra. Hoje gasta dinheiro em combustível e equipamentos, como drones e câmaras de filmar para fazer vídeos e fotografias, que revelam o que considera "crime" embora as análises que chegam à APA (Agência Portuguesa do Ambiente) estejam dentro dos parâmetros legais.
Arlindo sabe que a culpa é muito portuguesa e tem vários nomes, basta ver os relatórios da APA. Um deles é a Celtejo, fábrica de celulose em Vila Velha de Rodão - "sem uma ETAR adequada, a caldeira de recuperação não aguenta o volume de produção e assim faz descargas no rio".
Se preciso for, às quatro da madrugada Arlindo anda de barco no Tejo a recolher imagens. Para isso até comprou um caiaque e as suas denúncias já lhe causaram problemas e puseram a sua integridade física em risco: a sua e a de um dos três filhos.
Dessa vez por causa da Fabrióleo, no concelho de Torres Novas, a quem tem sido imputada a poluição da ribeira da Boa Água que desagua no rio Almonda, que por sua vez desagua no Tejo. O caso está em tribunal.
* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.


