Sociedade | 09-11-2018 10:00

Abdicou de uma carreira profissional para tratar da família e sente-se feliz

Abdicou de uma carreira profissional para tratar da família e sente-se feliz
Após engravidar, Filipa Azevedo largou tudo para ficar em casa a tomar conta dos filhos a tempo inteiro - foto DR

Filipa Azevedo é a primeira a levantar-se e a última a deitar-se e dá aulas aos filhos em casa

Quando era mais jovem, Filipa Azevedo era irreverente e sempre gostou de dar nas vistas. De tal forma que até fez parte de uma ‘girlsband’. Mas desde que conheceu aquele que diz ser o amor da sua vida tudo mudou. A Técnica de Alimentação e Bebidas engravidou na altura em que frequentava um estágio profissional num Hotel em Santarém e decidiu abdicar da sua vida profissional para se dedicar à família a tempo inteiro.

Para quem possa pensar que foi uma má opção e que uma dona de casa não se pode sentir realizada, Filipa Azevedo contrapõe que poder ser mãe a tempo inteiro lhe proporciona mais felicidade que qualquer carreira profissional que pudesse ter.

“Hoje não vejo a minha vida de outra maneira. Além de conseguir acompanhar os meus filhos e o meu marido, não sentimos tanto stress e temos mais paciência uns para os outros”, diz a dona de casa, que é natural de Santarém mas que actualmente vive em Porto de Mós (Leiria).

Mãe de dois filhos, de sete e dois anos e com mais um bebé a caminho, Filipa Azevedo é mãe e dona de casa a tempo inteiro e nem o facto de ter de fazer três máquinas de roupa por dia e ter de preparar as aulas dos filhos e as refeições da família, a fez contratar uma empregada ou uma empresa de limpeza.

“É verdade que tenho sempre muito trabalho mas não faz sentido ter uma empresa a limpar-me a casa ou a engomar-me a roupa. O que é preciso é organização e tudo se consegue”, admite a dona de casa de 33 anos que faz também questão de dar as aulas aos seus filhos.

“O ensino doméstico não é um bicho-de-sete-cabeças. Dá trabalho porque tenho de preparar as aulas, mas vale a pena. As crianças aprendem de uma forma lúdica e personalizada”, diz Filipa Azevedo, revelando que o seu dia-a-dia gira muito em torno do horário por turnos do seu marido que trabalha no sector químico.

Normalmente é Filipa quem acorda primeiro lá em casa, pelo menos quando o seu marido entra ao serviço de manhã. Prepara o pequeno-almoço para ela e o seu marido e aguarda que os filhos acordem, em vez de os ir acordar porque, como as aulas domésticas deles não têm horário fixo, podem dormir até mais tarde, apesar de terem uma hora para se irem deitar.

“É enquanto espero que eles se levantem que preparo as aulas no computador e faço as tarefas domésticas. Só depois de almoço é que costumo fazer várias actividades com os meus filhos”, conta a dona de casa.

Se tiver sol, Filipa costuma ir visitar museus ou levá-los a locais emblemáticos e quando o marido está de folga, gosta de fazer piqueniques na Serra de Aire e Candeeiros ou ir à praia. Já quando chove, fica mais em casa e aproveita para fazer actividades mais ligadas à leitura e às artes plásticas.
“Aqui em casa não há rotinas. Todos os dias são diferentes. E ninguém é pressionado a nada”, destaca Filipa Azevedo, adiantando que não é por isso que o seu filho mais velho não sabe ler nem escrever ou fazer contas.

“O meu filho de sete anos aprendeu a ler com cinco anos e a escrever, por intuição, logo depois. Ninguém o obrigou a nada. Foi tudo natural. O nosso segredo é a disciplina. Não querem aprender matemática naquele dia, não aprendem, mas no dia seguinte tem mesmo de ser”, explica.

O dia já vai longo e chega a hora da aula de natação do filho mais velho. Filipa acompanha-o e depois de o deixar na piscina vai para casa preparar o jantar. As crianças vão para a cama às 22h30 e a mãe aproveita para passar a ferro. “Às vezes, quando o meu marido trabalha até mais tarde a hora de deitar dos filhos é alterada para que possam ver o pai”, admite a mãe, que é sempre a última a deitar-se.

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