Sociedade | 10-12-2018 10:00

Alunos de mérito não querem ser professores

Alunos de mérito não querem ser professores

Mais de meia centena de alunos de Vila Franca de Xira foram distinguidos pelo município

Os melhores da turma estão atentos nas aulas, gostam de ter a matéria na ponta da língua e valorizam os professores, mas seguirem essa carreira não é opção. “É uma profissão subvalorizada em Portugal, que não tenciono seguir”, disse uma das jovens contemplada com medalha e diploma de mérito e excelência.

Os alunos reconhecem ao professor a nobre missão de lhes ensinar a matéria, mas também a transmissão de valores que os vão moldar no futuro. Há até aqueles que se inspiram no professor e lhe apanham traços da personalidade. Mas, no que respeita à profissão, o caso parece mudar de figura. O MIRANTE questionou alguns dos melhores alunos de 3º ciclo, que foram distinguidos na sexta-feira, 30 de Novembro, na cerimónia de atribuição de mérito e excelência escolar do concelho de Vila Franca de Xira.

Irrequieta e expressiva, Manuela Pinheiro, 15 anos, é uma das alunas premiadas da Escola Secundária Alves Redol. Não responde com certeza, mas diz que no futuro quer ser neurocientista. Ser professora não entra no leque de opções porque “a profissão de professor é muito subvalorizada em Portugal”. Entende ainda que “é uma profissão muito complicada de seguir hoje em dia”, por todas as dificuldades de colocação e progressão na carreira que a classe enfrenta.

Não ter paciência para ensinar ou lidar com alunos é o motivo que Margarida Miranda, de 15 anos, outra aluna premiada da Escola Secundária Alves Redol, encontra para dizer não à profissão de professor. A mesma opinião tem Catarina Torrão, de 15 anos, da Escola Dom António Ataíde, que também recebeu nessa tarde o prémio de mérito escolar. “Os professores têm um papel muito difícil. Ensinar jovens não é fácil e não me consigo imaginar a fazer isso no futuro”. A jovem diz-se apaixonada pelo corpo humano e embora não tenha a certeza da profissão que quer seguir, sabe que “tem de ser ligada à área da saúde”.

Os alunos do sexo masculino parecem entusiasmar-se mais com a área das engenharias. É o caso de Javieer Balkrisna, 15 anos, aluno premiado da Escola Secundária do Forte da Casa. “Quero ser engenheiro informático porque sempre gostei de tecnologia e de mexer em computadores. Ser professor não é uma área que me desperte qualquer interesse”, conta o jovem.


Mais de meia centena de distinguidos
Na cerimónia que se realizou no Ateneu Artístico Vilafranquense, o prémio de mérito escolar foi atribuído a 55 alunos, que frequentaram o 2º e 3º ciclo do ensino básico no ano lectivo transacto. A distinção de excelência foi atribuída a oito alunos: Filipa Félix e Daniela Soledade, do 2º ciclo; e Ariana Batista, Ana Oliveira, Pedro Antunes, Tomás Levezinho, Leonardo Martins e João da Mata, do 3º ciclo. Os alunos de excelência passam a poder utilizar gratuitamente as instalações desportivas do município para a prática de uma modalidade desportiva.

Autarca evidencia aposta na educação

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, referiu que continua a ser prioridade do executivo camarário a aposta na educação, “enquanto factor de desenvolvimento para o concelho”. “A autarquia fez um investimento de meio milhão de euros em obras de manutenção, reparação e reabilitação de estabelecimentos escolares e na requalificação e ampliação da Escola EB1 nº1 de Vialonga, onde foram investidos mais 500 mil euros”, referiu. Alberto Mesquita destacou ainda a importância da atribuição desses prémios de mérito e excelência para “incentivar o sucesso escolar”.

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