Sociedade | 11-01-2019 10:00

Um arquitecto com muita pedalada

Um arquitecto com muita pedalada

Filipe Matos tem 32 anos e é de Salvaterra de Magos. Este ano vai participar no Campeonato do Mundo de Bicicleta de Montanha 24h Solo, que decorre em Maio, no Brasil. É um dia inteiro a dar ao pedal.

Sempre que monta a sua bicicleta de BTT pelos caminhos em terra batida de Salvaterra de Magos, Filipe Matos é um homem feliz. Trata-se de uma paixão que já vem da meninice quando ficou com a velhinha bicicleta topo de gama da Peugeot que pertencia ao avô, ciclista amador.

Desde aí nunca mais parou de dar ao pedal, tendo já subido várias vezes ao pódio em provas internacionais. O próximo desafio é participar no Campeonato do Mundo de Bicicleta de Montanha 24h Solo, que decorre em Maio, no Brasil.

Uma prova onde o atleta, de 32 anos, procura desafiar-se a si próprio e bater o recorde pessoal, apontando ficar num dos primeiros lugares na tabela das classificações no escalão de 30-35 anos. Vai ser a estreia de Filipe Matos no Brasil, numa prova mundial de extrema dureza. No total, o atleta, que é arquitecto de profissão, vai pedalar 400 quilómetros, durante 24 horas non-stop, juntamente com mais de uma centena e meia de atletas de todo o mundo.
Filipe Matos admite que nas provas de BTT que duram 24 horas, a maior dificuldade nem é tanto o sono ou a vontade de ir à casa-de-banho, mas o cansaço psicológico. A razão, revela, é o facto dos atletas andarem sempre às voltas no mesmo circuito. “Daí a necessidade de uma boa preparação física e mental antes de uma prova com este tipo de dureza”, afirma a O MIRANTE.

Um desportista multifacetado
Filipe Matos sempre esteve ligado ao desporto. Praticou andebol em Salvaterra de Magos, Benavente e Glória do Ribatejo, judo, futebol, kitesurf, mas é no BTT que se tem destacado. Actualmente a trabalhar no escritório de arquitectura do pai, em Salvaterra de Magos, e a residir em Lisboa, onde a esposa e também sua ‘manager’ trabalha, o atleta confessa que não sente grande dificuldade em conciliar o trabalho com a prática desportiva. “Normalmente, e por estar em pré-época, costumo pedalar cerca de hora e meia de manhã e outra hora e meia ao final do dia. Ao todo faço 60 quilómetros por dia. Não é muito tempo, mas os treinos costumam ser muito intensos”, frisa.

Os pais nunca deixaram de o apoiar e de estar presentes nas provas sempre que podem. E, apesar de nunca ter arranjado namoradas por praticar BTT, confessa que foi essa modalidade que lhe deu algumas lições de vida.

“Aprendi a ouvir quem é mais experiente, a comer melhor e, sobretudo, a não baixar os braços quando aparecem as dificuldades. É esse o segredo de um bom atleta”, revela Filipe Matos que de vez em quando corta com a dieta e come uma fatia de bolo ou um hambúrguer. “São os poucos dias em que me posso desforrar”, ri-se.

E se fazer uma alimentação equilibrada faz parte do dia-a-dia, também os problemas mecânicos vão fazendo parte da rotina. Na última vez teve de levar a bicicleta às costas durante mais de oito quilómetros até à meta. “Foi em Junho do ano passado, no campeonato da Europa na Eslováquia.

Estava há 12 horas em primeiro lugar e, de repente, tive um furo num pneu. Na altura, como não podia voltar para trás, tive de carregar a bicicleta o resto do circuito”, conta o atleta de Salvaterra de Magos.

Amante das tradições ribatejanas
Humilde, amigo do seu amigo e teimoso, Filipe Matos confessa que é um apaixonado pela sua terra natal. É por isso que, apesar de não se considerar um aficionado, faz questão de estar presente todos os anos nas festas de Salvaterra de Magos. “É uma forma de poder conviver com os amigos e me divertir”, adianta, admitindo ser um apreciador dos pratos típicos do Ribatejo, especialmente do torricado de bacalhau que o seu pai faz.

Para Filipe Matos, Salvaterra de Magos tem crescido a todos os níveis, inclusive a nível do desporto. A razão, defende, é o grande investimento que tem sido feito por parte da autarquia. “Eles não têm cortado as pernas aos jovens que querem praticar desporto e ainda bem, porque temos aí uma nova geração de grandes talentos na terra”, acredita.

Piloto automático

Filipe Matos confessa que, normalmente, nas provas de 24 horas, se não fosse o seu ‘staff’ chamar a atenção, não sentia necessidade de comer nem de ir à casa-de-banho. Tudo, explica, porque está tão focado na prova que parece que o cérebro entra em piloto automático. “É muita adrenalina junta”, garante.

Flor no GPS

Apesar de não ser dado a talismãs, Filipe Matos conta que começou, há uns anos, a levar sempre consigo para as provas uma flor agarrada ao GPS. A culpa, revela, é da sua namorada e actual ‘manager’. “Ela colocou-me um malmequer agarrado ao equipamento e curiosamente essa prova correu mesmo muito bem. Desde aí começou sempre a apanhar uma flor antes das provas e a colocá-la no GPS para me dar sorte e lembrar-me dela”, refere.

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