Sociedade | 18-02-2019 10:00

Tagarro tem um Ronaldo dos bicos de prata

Tagarro tem um Ronaldo dos bicos de prata

Paulo Morgado, de Tagarro, Azambuja, já conquistou 26 medalhas de ouro em campeonatos nacionais e internacionais de ornitologia.

Paulo Morgado, 36 anos, natural de Tagarro, concelho de Azambuja, é criador de aves exóticas e já arrecadou 26 medalhas de ouro, 23 de prata e 7 medalhas de bronze em campeonatos nacionais e internacionais de ornitologia. A paixão pelas aves surgiu em criança, quando no seu aniversário a irmã lhe ofereceu um casal de mandarins. A partir daí começou a fazer criação dessa espécie e aos 16 anos fez-se sócio do Clube Ornitológico das Caldas da Rainha.

Com cerca de 150 aves e três dezenas de casais a procriar, continua numa busca incessante pela ave perfeita. Já criou várias espécies, como diamantes gould, mandarins, diamantes estrela e diamantes modestos. Nos últimos anos especializou-se na criação de bicos de chumbo e bicos de prata.

Paulo Morgado, motorista de pesados, olha para a criação de aves como um passatempo que o liberta da ansiedade e preocupações do trabalho. “Tornou-se num vício saudável. Há quem pratique desporto, eu crio pássaros”, diz.

Depois de algumas participações em concursos nacionais, Paulo Morgado deu o passo seguinte estreando-se em concursos internacionais. O primeiro concurso onde participou foi a Avixira, em Vila Franca de Xira, tendo arrecadado um terceiro lugar. “Fui a concurso com oito mandarins, que escolhi sem qualquer critério. Levei os que me pareceram mais bonitos. Tive sorte”, confessa o criador de aves que depois dessa participação ganhou motivação extra para aprimorar os seus exemplares.

Começou a participar em vários campeonatos internacionais e a arrecadar cada vez mais prémios. No ano de 2018 conquistou seis palmarés, passando pelo Internacional do Sado (Setúbal), Internacional Atlântico (Póvoa de Varzim), 72º Campeonato Internacional Ornitológico (Elvas) e no Aza-Aves (Azambuja). Em Janeiro de 2019, com um bico de prata, amealhou uma medalha de bronze no Mundial de Ornitologia, realizado em Zwolle, na Holanda, que juntou 25 mil aves de 2.700 criadores.

A ave merecedora do bronze viajou com outras mil e setecentas de criadores portugueses até à Holanda. Durante a viagem não pode faltar água ou alimento e têm de ir bem acondicionadas numa gaiola pequena para não se mexerem muito e evitarem ficar com alguma lesão.
Preparar aves para um concurso tem que se lhe diga. Há suplementos vitamínicos e medicação que tem de ser tomada para que a saúde não seja descurada e aguentarem as viagens. A escolha da ração faz a diferença e os banhos têm de ser regulares para que as penas não quebrem com facilidade. Porque aos olhos do júri tudo é motivo de desclassificação.

Paulo Morgado conta que na casa dos pais, em Tagarro, onde tem as aves, é a mãe que o ajuda a cuidar delas. “Ela já contabilizou e demora mais de uma hora a colocar as sementes nos 350 comedouros”, conta.

Não há limite para atingir a perfeição
Alcançar a perfeição é tarefa árdua e pode custar umas boas centenas de euros. Paulo Morgado evita partilhar com a família quanto é que gasta mensalmente com a sua criação, mas confessa que já comprou uma ave por 200 euros.

A busca da perfeição baseia-se no apuramento da raça, mas para que consiga lá chegar é preciso ter um casal de progenitores com os genes ideais. E depois de os ovos estarem no ninho, há que manter o olho atento nos progenitores, já que alguns não chocam os ovos e outros não alimentam as crias como deviam.

Paulo não tem por hábito vender as suas aves em campeonatos, muito menos uma que foi campeã. “Valorizo as minhas aves, não as levo a campeonatos a pensar no lucro que posso vir a ter com elas”, atira.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1341
    19-09-2019
    Capa Vale Tejo
    Edição nº 1341
    19-09-2019
    Capa Médio Tejo