Sociedade | 09-05-2019 13:52

Estalou o verniz entre PSD e PS por causa das obras nas barreiras de Santarém

Estalou o verniz entre PSD e PS por causa das obras nas barreiras de Santarém
Foto arquivo O MIRANTE - Ricardo Gonçalves e José Miguel Noras

Troca de comunicados e posições públicas roçam o insulto pessoal entre políticos.

Para além da confrontação política na assembleia municipal sobre o atraso nas obras nas encostas de Santarém e reabertura da EN114, abriu-se outra frente de combate com as estruturas concelhias do PS e do PSD a trocarem comunicados e posições que foram subindo de tom. O PSD respondeu esta quinta-feira a uma publicação do presidente da concelhia do PS, José Miguel Noras, com um violento comunicado onde até “esquizofrénico” chama ao ex-presidente da Câmara e da Assembleia Municipal de Santarém.

No dia 8 de Maio, o socialista José Miguel Noras carregou nas palavras na sua página no Facebook, na sequência de um comunicado publicado pela Câmara de Santarém que apontava responsabilidades à empresa pública Infraestruturas de Portugal pela demora na reabertura da EN114 em Santarém. Noras chegou mesmo a sugerir a demissão do actual executivo camarário de maioria PSD.

“O Povo de Santarém ter-se-á de pôr ao alto e deixar de ir em cantigas. Caso fique provado que todos os erros do caderno de encargos (nas obras das barreiras), que já custaram mais 375 mil euros do que o previsto, bem como os atrasos das obras autárquicas são propositados, a fim de politicamente culpar, sem qualquer sentido, o Governo que estiver, prejudicando severamente as populações, então será forçoso equacionar a realização de eleições antecipadas. Em Santarém, não seria a primeira vez que um Executivo não cumpriria o seu mandato”, escreveu Noras.

O líder do PS em Santarém, com uma contundência que há muito se lhe não via no combate político, acrescentou: “Ter a maioria não confere direito a ninguém de fazer o que lhe apetece, como o que está acontecer também no espaço da ex-EPC ou no Mercado Diário, onde querem gastar mais dois milhões de euros e despedir os comerciantes que ali investiram as suas vidas”.

A resposta do PSD chegou no dia seguinte em forma de comunicado, onde se recordam alguns episódios polémicos da passagem de Noras pela vida autárquica e onde se acusa o PS de procurar “escamotear a incúria do Governo central, que instado para o efeito, não quer reabrir aquele acesso à cidade de Santarém”.

Acusando Noras de espalhar publicamente “mentiras e acusações fúteis, em defesa do seu PS (no Governo) e em claro prejuízo de Santarém”, a concelhia de Santarém do PSD, que é liderada pelo presidente da câmara Ricardo Gonçalves, estranha que “aquele que outrora esbanjou dinheiro público em relógios, candidaturas goradas a património mundial e diversos trabalhos a mais, venha agora desafiar o PSD a demitir-se da Câmara, por factos que o seu (dele) adorado Governo insiste em praticar”.

Referindo que os trabalhos a mais nas obras das encostas - “em percentagem pouco relevante” - foram imprescindíveis “em face da imprevisibilidade dos terrenos em que se desenvolveu a empreitada”, o PSD diz que José Miguel Noras é “o mesmo arauto e esquizofrénico espalhador de opinião que tem vasto cadastro em delapidação de património público”.

E o PSD aponta exemplos sempre com Noras na mira: “Deve pensar que o povo de Santarém esquece os 4 milhões de euros investidos numa candidatura falhada a património mundial, os 1,5 milhões de euros em trabalhos a mais e juros na empreitada do Complexo Aquático (cerca de 30% da obra), os 1,5 milhões de euros na compra de um terreno quase oferecido à Lactogal que aqui não se instalou e manteve a propriedade do terreno, ou a Rua O cuja empreitada durou anos a fio, ultrapassando todos os prazos razoáveis”.

O PSD considera que a reabertura da EN 114 é um assunto demasiado importante para ser tratado em lutas políticas e aproveita para perguntar o que fizeram Noras e o PS de Santarém junto do seu Governo com vista à rápida reabertura da EN114. “Antecipamos a resposta: Nada!”, responde o PSD, afirmando que Santarém merece uma oposição melhor e que “o problema da EN 114 resolve-se com acção política e não com posts no Facebook”.

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