Sociedade | 24-08-2019 15:00

Criança desaparecida em VFX regressou a casa de táxi

Criança desaparecida em VFX regressou a casa de táxi

Menina de 11 anos esteve ausente em parte incerta durante dois dias.

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar a pente fino todos os contornos do estranho desaparecimento de uma criança de 11 anos da casa onde vivia com a mãe em Povos, Vila Franca de Xira, e os agentes não descartam a hipótese do envolvimento de algum familiar. A criança esteve ausente em parte incerta durante dois dias e regressou a casa de táxi, sozinha, no final de sábado, 17 de Agosto.

Os contornos do caso estão envoltos em mistério e no bairro poucos são os que aceitam falar sobre o assunto, embora poucas horas depois do desaparecimento a maioria acreditasse que a criança acabaria por regressar a casa, o que veio a acontecer.

Os pais recusam falar do assunto, limitando-se a dizer que a menor apareceu bem de saúde. O MIRANTE falou com moradores do bairro mas também aí existe um pacto de silêncio. A PJ está a tentar descobrir se há motivações criminosas no caso ou se o desaparecimento temporário de Maria Pereira resultou de alguma desavença no contexto familiar.

O que parecia um caso de bairro tornou-se notícia nacional depois do assunto ter extravasado para as redes sociais com apelos de amigos para encontrar a criança. A menor apareceria dois dias depois, bem de saúde, já depois da exposição mediática do caso e de os pais terem sido ouvidos pela PJ. O taxista só deixou a menor sair do carro depois de confirmar a identidade do pai. A Judiciária foi informada de toda a situação.

“Nunca ela poderia sair de casa sem ser com alguém que conhecesse bem”, conta fonte próxima da família. “O importante é que está bem e já fizeram várias análises que confirmam isso mesmo mas queremos que a polícia encontre quem fez isto”, refere a mesma fonte.

O alerta para o desaparecimento foi dado pela mãe pouco depois das 16h30 de quinta-feira, 15 de Agosto, depois da menor ter explicado que ia ter com uma amiga. A criança terá alegadamente sido aliciada por alguém com quem tinha confiança para ir dar um passeio e passar uns dias fora do bairro. Terá sido apanhada em casa por um carro conduzido por um desconhecido e deixada na estação de comboios. Entre o bairro de Povos onde vive e a estação de comboios distam 3,5 quilómetros. Daí terá seguido viagem, provavelmente acompanhada, para a zona de Lisboa. O que aconteceu nesses dois dias é o que os inspectores pretendem apurar.

O pai está emigrado na Alemanha a trabalhar na construção civil e regressou a Portugal logo que soube da notícia do desaparecimento. A criança está a receber apoio psicológico, não vai sair de casa nos próximos dias e deverá também ajudar os agentes no caso.

Comunicações da família passadas a pente fino

Maria Pereira é considerada pelos amigos e vizinhos como uma criança tímida e de comportamento exemplar, que raramente dá confiança a estranhos. Por esse facto, há quem admita a possibilidade de ter sido algum familiar, ou pessoa com confiança suficiente da família e da menor, a aliciá-la para sair de casa.

Todas as comunicações da família estão a ser passadas a pente fino e o computador e o telefone da menor estão a ser analisados. “Foi uma onda de solidariedade muito grande, recebi imensas chamadas de pessoas do norte ao Algarve a dizer que andavam a fazer buscas por ela inclusive nas praias, por isso a todos agradeço essa ajuda”, diz António Pereira, tio da criança, que não quis adiantar mais informações sobre o assunto e reforçando que os pais não querem falar.

Duas dezenas de inspectores da PJ mobilizaram-se para encontrar a criança. Maria Pereira não tinha levado as chaves de casa nem dinheiro, tendo apenas consigo um telemóvel sem o cartão que lhe permitia fazer chamadas.

Menina calma e tímida

Quase toda a gente no bairro de Povos com quem O MIRANTE falou sobre Maria Pereira lhe deixa elogios. Criança de trato fácil, personalidade calma, simpática e de sorriso no rosto. Gosta de brincar com os amigos mas apenas os que conhece bem. É tímida e não gosta de falar com quem não conhece, incluindo as crianças da sua idade. Os pais de um colega da criança dizem que a menor é boa aluna e uma inspiração para os restantes colegas.

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