Sociedade | 12-10-2019 10:00

Confraria do Arroz Carolino extinta por não poder usar aquele nome

Confraria do Arroz Carolino extinta por não poder usar aquele nome

Empresa proibiu o uso do nome, símbolos e a marca “Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas”, quando inicialmente tinha dado o seu aval.

A Confraria do Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas suspendeu actividade depois de ser proibida pela Orivárzea S.A. de utilizar o nome com que foi constituída e a que a administração da empresa de produção e comercialização de arroz tinha dado aval inicialmente. Na origem da situação estará a utilização em eventos gastronómicos, organizados pela confraria, de uma marca de arroz que não é produzido pela Orivárzea.

Num email enviado à confraria, a que O MIRANTE teve acesso, a sociedade de orizicultores da Várzea de Samora e Benavente escreve que “não é permitido utilizar o nome da Orivárzea, assim como qualquer símbolo e marcas, incluindo a marca Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas”. Além das proibições, acusa a confraria de “ilegalidades aos estatutos e ao caderno de encargos da marca” de Indicação Geográfica Protegida (IGP).

A confraria tinha inclusive como vice-presidente da mesa da assembleia-geral, Joaquim Madaleno, um dos administradores da Orivárzea, e nos seus órgãos sociais estavam pelo menos mais seis membros que são funcionários na mesma empresa. Todos apresentaram a sua demissão dias após a cerimónia de entronização, em Fevereiro último.

A Orivárzea refere ainda num outro email que nunca foi objectivo utilizar a confraria para promover as suas marcas, uma vez que é “líder de mercado há quatro anos consecutivos com o Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas”. O MIRANTE solicitou mais esclarecimentos junto da Orivárzea, mas não teve qualquer resposta até ao fecho desta edição.

Nova confraria na forja

O confrade fundador e presidente da direcção da antiga confraria, João Matos, diz que não se percebe como é que a Orivárzea toma uma posição destas, pondo fim a uma associação que visava promover o Arroz Carolino produzido nas lezírias. “Não entendemos como autorizam o nome sem pôr entraves e agora o vêm proibir”, refere, admitindo que foram obrigados a utilizar arroz de outra empresa da região. “Mas é carolino e igualmente produzido nas lezírias ribatejanas”, ressalva.

João Matos lamenta os mais de quatro mil euros em produtos de merchandising que ficaram inutilizados, mas assegura que na mira está a constituição de uma nova confraria que vai deixar cair o nome, mas não o propósito de divulgar o arroz carolino produzido na região.

Festival do Arroz Carolino é para continuar

O assunto teve eco em reunião pública do executivo da Câmara de Benavente com o vereador Ricardo Oliveira (PSD) a questionar se a estratégia de valorização turística do concelho pode estar em risco, uma vez que há uma empresa a controlar a marca que dá nome ao maior evento gastronómico do concelho; o Festival do Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas.

O presidente do município, Carlos Coutinho (CDU), que também fazia parte da confraria, distanciou a situação daquilo que é a estratégia para o concelho. “Quando definimos a estratégia foi pensada para identificar um produto de qualidade no nosso município. A confraria não se confunde com aquilo que é a estratégia de valorização de um produto”, referiu o autarca, frisando que o Festival do Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas é para continuar.

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