Sociedade | 12-10-2019 18:00

Foi burlada na compra de um carro e o Ministério Público arquivou a queixa

Foi burlada na compra de um carro e o Ministério Público arquivou a queixa
CRIME

Cidadã de Benavente queixa-se que lhe falsificaram a assinatura para contraírem um empréstimo para a compra de um carro, que não foi pago.

O Ministério Público (MP) arquivou o caso da moradora de Benavente que foi penhorada por não ter pago um carro que alegadamente nunca comprou. Por causa desta confusão, Carla Alcaparra, que se queixa de ter sido burlada por alguém que usou o seu nome, consta da lista negra do Banco de Portugal e está impedida de contrair qualquer financiamento bancário.

A investigação iniciou-se tendo como suspeitos o stand de automóveis Motorex, com sede em Évora, e o ex-marido de Carla Alcaparra que esta indicava como tendo sido o autor da falsificação de documentos. Mas o Ministério Público refere que “não foi possível recolher indícios suficientes da autoria do crime”. Segundo o despacho de arquivamento, o ex-marido de Carla está em parte desconhecida e também não conseguiu descobrir o paradeiro do vendedor do stand.

No processo foi inquirido, na qualidade de testemunha, um responsável comercial na empresa Motorex, que disse desconhecer o indivíduo que em 2009 se deslocou àquele stand automóvel para comprar a viatura. Sabe apenas que quem entregou a cópia dos documentos de identificação de Carla Alcaparra e o comprovativo do crédito bancário, era um homem que desconhece o nome e morada. Quando questionado pelo MP sobre o paradeiro dessa documentação, a testemunha garantiu que foi destruída pela Motorex, por ter dez anos de arquivamento.

A denunciante, Carla Alcaparra, reiterou ao MP que a cópia do seu cartão de cidadão, entregue na Motorex e em agência bancária, contém dados que não correspondem à verdade. Tal como O MIRANTE já tinha dado nota, em Julho de 2018, a data de nascimento tinha sido alterada, uma vez que em 1981 a denunciante ainda não era nascida. Também o estado civil indicado (solteira) não correspondia à verdade, já que Carla estava casada.

Por não ter acesso aos documentos da compra do automóvel, não foi possível ao Ministério Público realizar perícia à letra, para provar a falsificação de documentos. “Sem tal exame, julgamos altamente improvável, sem outros elementos probatórios viáveis, alcançar-se a identidade dos autos”, refere no despacho.

Nunca teve carta nem carro

A O MIRANTE, Carla Alcaparra diz estar incrédula com a decisão do Ministério Público e promete recorrer. “Recuso-me a pagar uma dívida que não é minha, de um carro que nunca comprei”, sublinha, acrescentando que terá de “abrir insolvência pessoal”, caso não consiga a reabertura do procedimento criminal. Quando a viatura foi comprada, Carla estava emigrada na Suíça e até hoje não tem carta de condução.

A viatura da marca Peugeot já teve vários proprietários e encontra-se em circulação. Carla só teve conhecimento da situação em Setembro de 2017, quando se dirigiu a uma dependência bancária, a fim de contrair um empréstimo para a compra de uma habitação, que lhe foi negado. Em 2019 começou a ser penhorada pelo banco que fez o empréstimo para o carro, no valor de 39 mil euros. Carla Alcaparra apresentou várias queixas na GNR e Polícia Judiciária, por crime de burla.

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