Sociedade | 13-10-2019 12:30

Oposição não perdoa atrasos nas obras em Torres Novas

Oposição não perdoa atrasos nas obras em Torres Novas

Maioria socialista que gere o município esteve debaixo de fogo na última sessão da assembleia municipal.

Algumas das obras consideradas estruturais no concelho de Torres Novas que o executivo de maioria socialista apresentou como grandes opções do plano para avançarem em 2019 não vão arrancar este ano. Ao todo foram 37 as obras apresentadas no final de 2018, sendo que algumas vão mesmo deslizar para 2020.

Seja devido a concursos que ficaram desertos, seja por falta de mão-de-obra nas empresas de construção civil ou pela demora nos pareceres por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e do Tribunal de Contas (TC), o que é certo é que as obras não vão mesmo arrancar este ano. Isso mesmo foi assumido pelo presidente da câmara, Pedro Ferreira (PS), na última sessão da assembleia municipal.

Todas as obras, garante o autarca, têm fundos comunitários e empréstimos bancários aprovados, algumas já estão adjudicadas, mas a verdade é que em 2019, tal como tinha sido previsto pela maioria socialista, não arrancam. Nesse lote estão a reabilitação da Calçada António Nunes, no centro histórico; a estrada entre Alcorochel e Charneca de Alcorochel; a beneficiação dos acessos à Zona Industrial de Riachos; a requalificação do troço entre a rotunda no Nicho de Riachos e o limite do concelho do Entroncamento e o projecto para as ciclovias e a urbanização que está por construir na envolvente sul do Hospital Rainha Santa Isabel.

Todas estas obras surgem na terceira revisão ao orçamento de receita e despesas da Câmara de Torres Novas, documento apresentado aos deputados e discutido na assembleia municipal, que desagradou à oposição. Aliás, este foi o tema que marcou grande parte da sessão. A oposição questionou o que anda a fazer o executivo e chegou mesmo a duvidar da seriedade das opções da maioria socialista.

Processos ao ritmo do Tribunal de Contas

Pedro Ferreira explicou que nem tudo depende da câmara, pois se assim fosse muitas das obras previstas já teriam arrancado. “Estas duas entidades (a CCDR e o Tribunal de Contas) são soberanas, principalmente o Tribunal de Contas. Não podemos chegar lá e dizer para acelerarem os pareceres porque temos pressa para avançar com as obras”, atirou o presidente.

Nuno Guedelha (CDU) chegou mesmo a questionar Pedro Ferreira sobre quando pensa ir falar com as pessoas à rua e dizer que afinal as obras por que tanto esperam não vão acontecer. Mais agressivo foi o BE, pela voz de António Gomes, que referiu ser “inesperado” que esta situação acontecesse apelidando concretamente a requalificação dos acessos à Zona Industrial de Riachos como “um caso paradigmático”.

A urbanização junto do Hospital Rainha Santa Isabel foi outra das obras apontadas pelo BE que também gerou preocupação. “Tudo corria bem. O que se passou? Quanto estamos a pagar mensalmente por causa deste atraso? O que se está a passar na Câmara de Torres Novas”, questionou o deputado.

Para o PSD, o arranque da obra no Largo General Humberto Delgado era a que menos precisava de avançar e já começou. “De cada vez que uma obra desliza é um cidadão que fica sem usufruir dela”, referiu o deputado José Ferreira. “O vosso orçamento e as vossas opções correram mal”, rematou.

Pedro Ferreira respondeu apenas que estava na dúvida sobre se os deputados tinham lido o documento ou se, apesar de o terem lido, tinham percebido o seu conteúdo. “As obras vão ser feitas. Tenho a minha consciência totalmente tranquila. Estas atrasaram por motivos que nos são alheios, mas outras já avançaram”, apontou.

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