Sociedade | 06-11-2019 18:00

Beber vinho de forma moderada faz bem à saúde

Beber vinho de forma moderada faz bem à saúde

O vinho faz bem ao stress e pode ajudar a prevenir doenças desde que ingerido com moderação, diz o neurologista Joaquim Cândido, que também é produtor vinícola.

Um copo de vinho por dia nem sabe o bem que lhe fazia. Esta é uma frase feita mas que, segundo o neurologista Joaquim Cândido, tem razão de ser. O segredo está na quantidade e na qualidade do vinho. Um copo de 150 mililitros, de um vinho com 12 graus, pode ajudar a prevenir enfartes, acidentes vasculares cerebrais (AVC) bem como ajudar na regularização da hipertensão e do bom colesterol e até na diabetes tipo 2. No caso da diabetes, o vinho tinto é o mais indicado, por ser mais seco e menos açucarado que um vinho branco. “É um produto que tudo leva a crer ser muito benéfico para a saúde”, sublinha.

O médico, reformado há quatro anos da Unidade de Neurologia do Hospital São José, em Lisboa, é também produtor de vinho na zona da Póvoa de Santarém e proprietário da Quinta da Ribeirinha, onde foi apresentada a edição deste ano do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém. Um evento que tem como tema, precisamente, “O Vinho e a Vinha” e que decorre até 3 de Novembro na Casa do Campino.

Também nas doenças de foro neurológico, por exemplo em doentes com Parkinson e Alzheimer, há estudos que apontam os possíveis benefícios do vinho. “Mesmo aos 90 anos não tem nenhuma contraindicação”, aponta Joaquim Cândido. No caso de doenças depressivas também pode beneficiar os pacientes, nomeadamente “a terem menos manifestações depressivas e mais boa disposição”, explica o neurologista.

Também o stress, considerada a doença da moda, pode ser combatido com um copo de vinho. “Não há dúvidas de que um copo de vinho, depois de um dia de trabalho, ajuda a relaxar e funciona como um anti-stress e calmante”, explica Joaquim Cândido.

Também há contra-indicações

Por outro lado, as pessoas que têm apneia de sono devem estar fora deste quadro. “É proibido beberem, principalmente à noite”, porque pode agravar a situação, uma vez que o álcool reprime o aparelho respiratório. “Cada corpo é um corpo. Cada caso é um caso”, adverte o médico.

”Há pessoas que têm muito má reacção ao vinho. Há até as chamadas bebedeiras patológicas, pessoas que não aguentam muito o vinho, que bebem um ou dois copos e ficam desorientadas. Nestes casos, a ingestão de álcool não é, de todo, aconselhada”, sublinha ainda.

Do outro lado da questão está o consumo exagerado de vinho e outras bebidas alcoólicas e os problemas a isso associados: “Tradicionalmente, Portugal passou um problema brutal, com cirroses, que estão já quase controladas. Mas ainda existem casos de alcoolemia que merecem muita atenção, principalmente na camada mais jovem da população. Há 40 anos, o número de pessoas internadas com cirroses e mortes por esta causa era uma brutalidade. E é neste plano que é preciso abordar este tema: equilíbrio e moderação”.

Seguir uma boa dieta alimentar e fazer exercício físico são condições que, aliadas a uma ingestão de vinho moderada, proporcionam uma melhor qualidade de vida. Tudo devido aos polifenóis, um antioxidante existente no vinho, que possui uma variedade de potenciais benefícios para a saúde, que incluem a prevenção de cancro e a redução de doenças cardiovasculares.

Joaquim Cândido refere que, em geral, os portugueses bebem bom vinho, muito devido à diminuição dos químicos mais agressivos. A tecnologia de fabrico, a diminuição do metanol, as próprias castas, com a protecção integrada e com algumas regras e leis mais rígidas, vieram controlar a produção. “Temos que caminhar no sentido de redução dos químicos, num sentido cada vez mais biológico, tal como na alimentação”, refere Joaquim Cândido.

O médico lamenta que os estudos que existem sejam muito limitados. O problema está na falta de interesse por parte do Estado. “Falta muita investigação, que é cara. Não há ninguém com disponibilidade económica para fazer esse tipo de demonstração. Exigia que o Estado tivesse mais interesse neste aspecto que é uma questão de saúde pública”, diz.

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