Sociedade | 06-11-2019 15:00

Médica com a segunda nota mais alta está no Hospital de Torres Novas por amor

Médica com a segunda nota mais alta está no Hospital de Torres Novas por amor

Rachele Escoli obteve uma nota de 19,80 numa escala de zero a vinte, a segunda mais alta no país, no exame final da especialidade de nefrologia.

Se o sorriso e boa disposição ajudarem ao estado anímico dos doentes para superarem os problemas de saúde, o Centro Hospitalar do Médio Tejo tem na médica Rachele Escoli uma receita. A recém-especialista em nefrologia (especialidade que se dedica às doenças que afectam os rins e aparelho urinário) não seria notícia se não houvesse dificuldades em contratar médicos para hospitais de média dimensão ou para o interior. A profissional teve 19,80 valores (de 0 a 20) no exame final da especialidade, a segunda melhor nota a nível nacional, e podia ter as portas abertas em hospitais de grande dimensão. Mas escolheu, por amor, fazer a sua vida em Tomar, onde vive com o marido, médico oftalmologista no hospital desta cidade. Rachele já não se vê na agitação de uma grande cidade e está empenhada em fazer carreira no Hospital de Torres Novas, onde fez o internato.

Rachele, filha de pai italiano e mãe portuguesa, fez o curso de medicina em Coimbra, a quatro dezenas de quilómetros da terra onde vive desde os três anos, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, depois de ter nascido no Brasil. Na faculdade enamorou-se do actual marido. Na altura de entrarem para o internato (formação especializada em ambiente de trabalho) queriam ficar juntos no mesmo hospital ou pelo menos perto. Tiveram a sorte de haver no Centro Hospitalar do Médio Tejo (hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas) duas vagas para oftalmologia, a área preferida do marido, e para nefrologia, a especialidade de eleição de Rachele.

Nem Rachele nem o marido tinham qualquer ligação ao distrito de Santarém e o que conheciam era de passar na Auto-Estrada nº1 (Lisboa-Porto). Mas quando há seis anos entrou para o Hospital de Torres Novas apaixonou-se por Tomar, que considera uma cidade com carisma e mistério. Gosta das pessoas e do estilo urbanístico, sentindo-se em casa. No início foi um choque porque estava habituada a ir a centros comerciais. Agora não dispensa ir às lojas de rua e à mercearia tradicional. Criou uma família entre colegas de trabalho e costuma fazer as passagens de ano e férias com os colegas de trabalho.

Casada há três anos, a médica de 32 anos de idade considera que as hipóteses de evolução na carreira não estão só nos grandes hospitais e que em unidades médicas como as do Centro Hospitalar do Médio Tejo também há especificidades que criam desafios aos profissionais. O facto de esta região poder ser mais envelhecida que em grandes cidades também é um motivo de atracção para Rachele, que gosta de tratar pessoas com mais idade.

É uma pessoa metódica e estudiosa, qualidades importantes num curso que é bastante exigente. “Se não houver método, dedicação e estudo não se consegue fazer o curso de medicina”, realça. Não pensa vir um dia a ser directora de serviço, até porque não gosta de burocracias e de sobredoses de papéis. É a primeira médica na família. Uma realidade prestes a mudar, já que a sua irmã, que é dentista, decidiu entrar para medicina e está a fazer o quarto ano como trabalhadora estudante.

Rachele quis ser tanta coisa quando era criança e jovem. Quis ser bailarina e ainda não perdeu a esperança de experimentar esta actividade. Quis ser pianista e tem o oitavo grau de piano e formação musical do Conservatória de Coimbra. Mas também pensou ser arquitecta. O país ganhou uma médica que tanta falta faz nas zonas desfavorecidas e para isso muito contribuiu a educação que teve, que lhe incutiu regras, espírito de trabalho e dedicação.

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