“Se tivéssemos todos os funcionários a trabalhar eram poucos mas suficientes”
Margarida Franca, directora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, em Santarém, não se identifica com a greve como forma de luta laboral mas diz estar solidária com os docentes e com o pessoal auxiliar.
Margarida Franca, directora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, em Santarém, reconhece que se todos os assistentes operacionais estivessem a trabalhar, sem colocarem baixas sucessivas e serviços moderados, “eram poucos mas suficientes” para as necessidades.
A dirigente respondeu desta forma à questão colocada por O MIRANTE sobre o período de greve de professores e pessoal auxiliar, que se tem vivido desde 7 de Outubro e que está previsto continuar pelo menos até 29 de Novembro. A luta laboral promovida pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP) tem por base a resolução da falta de assistentes operacionais e de professores, bem como a retirada de materiais com amianto das escolas e a resolução da situação dos professores contratados.
Margarida Franca diz estar solidária com os docentes e com os auxiliares educativos, embora não se reveja neste tipo de luta. No que respeita à falta de professores, a directora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano refere que o principal problema reside na falta de docentes com determinadas habilitações para preencherem determinados grupos de recrutamento, embora defenda também que o sistema de colocações devia ser melhorado.
Quanto à retirada das escolas de materiais contendo amianto, nomeadamente telhas, defende que “há muita desinformação” sobre o assunto, uma vez que “não existe a perigosidade que se diz que tem”. No entanto ressalva: “há situações que devem ser acauteladas”.
Questionada sobre o motivo de as greves ocorrerem, tendencialmente, às segundas e sextas-feiras, a directora aponta que serão os sindicatos que pensam que haverá maior adesão, por serem dias colados ao fim-de-semana.
No que respeita à greve convocada pelo STOP, no Agrupamento Alexandre Herculano, a escola primária de São Domingos encerrou na sexta-feira, 15 de Novembro, tendo aderido os seis funcionários da escola ao serviço, enquanto os restantes quatro estão de baixa. Na terça-feira, dois professores fizeram greve, um da EB do Vale de Santarém e outro da EB dos Combatentes. A directora diz que a greve até ao momento não tem sido expressiva no agrupamento.
Ninho de vespa asiática eliminado na escola do Mergulhão
A Escola Primária do Mergulhão, em Santarém, esteve encerrada na segunda-feira, 18 de Novembro, devido à greve dos quatro auxiliares educativos da escola que integra o Agrupamento Alexandre Herculano. Nesse mesmo dia continuou a operação para eliminação de um ninho de vespa asiática que tinha sido detectado no domingo.
A escola era para permanecer encerrada na terça-feira, 19 de Novembro, por causa da eliminação do vespeiro, segundo referiu a O MIRANTE Margarida Franca, na segunda-feira, mas a responsável optou por reabrir o estabelecimento logo nesse dia. “A área onde está o ninho vai estar selada até sexta-feira, 22 de Novembro. Todas as condições estavam e estão reunidas para as crianças frequentarem o espaço e decidi abrir a escola”, justificou.
O ninho de vespas na EB1 do Mergulhão foi detectado por um residente de um prédio junto à escola, que deu o alerta aos Bombeiros Municipais de Santarém, no domingo, 17 de Novembro. O ninho estava instalado numa árvore dentro do recinto escolar. Ainda nessa tarde, os bombeiros detectaram-no e foi infectado pela primeira vez pela empresa contratada pelo município para efectuar essas operações. Na segunda-feira, pelas 07h00, foi feita a segunda intervenção.
Além desse caso na Escola do Mergulhão, nas últimas semanas foram também identificados três ninhos na zona da Ribeira de Santarém. Alcanede é, até ao momento, a zona do concelho de Santarém mais afectada. Em todo o concelho foram mais de 80 os alertas dados pelos populares, no entanto apenas cerca de 15 a 20 foram identificados e registados na plataforma do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), referiu o comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém, José Guilherme.
As autoridades recomendam às populações que estejam atentas e verifiquem armazéns agrícolas, casas antigas e árvores de grande porte nos quintais e jardins. Caso suspeitem da presença de ninhos ou exemplares desta espécie devem informar o Serviço Municipal de Protecção Civil ou as autoridades policiais e não devem aproximar-se nem tocar nos ninhos.
Há sete anos a dirigir o Agrupamento Alexandre Herculano
Margarida Maria Pimentel Miranda da Franca tem 54 anos, é divorciada e tem três filhos. Natural de Lisboa, veio para Santarém há 19 anos por motivos familiares. É professora de Matemática e Ciências, deu aulas em Lisboa mas foi na Escola Básica D. Afonso Henriques, em Alcanede, que começou a leccionar assim que chegou ao concelho de Santarém. Em 2004 passou para o Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano. Há sete anos que é directora deste agrupamento.


