Sociedade | 01-12-2019 10:00

Filha mais nova de Marília Batista ainda hoje tem medo da polícia

Filha mais nova de Marília Batista ainda hoje tem medo da polícia

Entrada da GNR a meio da noite para levar as crianças foi há onze anos.

O MIRANTE acompanhou o caso da família de Foros de Salvaterra que ficou traumatizada para sempre. Foi a intervenção da população que acabou por pôr fim ao drama. Os responsáveis pelo que aconteceu nunca deram explicações nem foram responsabilizados.

A filha mais nova de Marília Batista, Soraia, actualmente com 14 anos, ainda hoje tem medo da polícia e foge sempre que os vê. Soraia tinha três anos quando, na madrugada de 20 de Junho de 2008, elementos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos, escoltados pela GNR, entraram na casa de Marília Batista, em Foros de Salvaterra, e retiraram-lhe os três filhos menores por, alegadamente, a casa onde viviam ter falta de condições de higiene e habitabilidade.

A intervenção despropositada nunca chegou a ser explicada pelos responsáveis da CPCJ. A sociedade civil emocionou-se com essa história, indignou-se com a decisão da CPCJ e mobilizou-se para construir uma nova habitação de raiz para que as crianças, que entretanto tinham sido institucionalizadas, pudessem voltar ao lar. O que veio a acontecer em Março de 2010. O caso chegou a ter contornos maquiavélicos quando em certa altura a assistente social responsável pelo caso deu parecer negativo para que a família ocupasse a casa nova, por esta ter demasiado pó.

Já se passaram 11 anos, Marília emigrou com os três filhos para Inglaterra mas confessa a O MIRANTE que esses momentos traumáticos permanecem muito presentes na sua memória. “De vez em quando sonho que está tudo a acontecer de novo e acordo assustada porque estou a sonhar que me estão a levar novamente os meus filhos. Foi um trauma muito grande”, recorda. Marília lembra que quando os filhos estavam institucionalizados e iam passar o fim-de-semana a casa, Soraia só conseguia dormir com pistolas de plástico dentro da cama. “Dizia que era para se defender quando a polícia os viesse buscar”, recorda com a voz embargada.

Marília Batista acusa a técnica da Segurança Social que dirigiu o seu caso, Clara Carregado, de ter agido de “má-fé e com maldade” com a sua família. “Quem é que se lembra de colocar num relatório que os meus filhos não podiam viver comigo porque a casa tinha pó? A nossa casa ficava no meio do campo, é natural que tivesse pó”, critica Marília Batista. Desempregada e com três filhos para criar decidiu emigrar há sete anos. Diz que foi a melhor decisão que tomou. A filha mais velha, Tatiana, já tem a sua família, e trabalha. Os mais novos vivem com a mãe e são bons alunos.

A técnica da CPCJ de Salvaterra de Magos, responsável pelo caso de Marília Batista, está actualmente a trabalhar na CPCJ de Coruche e, ao que O MIRANTE apurou, as polémicas acalmaram.

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