Sociedade | 13-12-2019 15:00

Ginástica acrobática faz voar atletas do Clube Benaventense

Ginástica acrobática faz voar atletas do Clube Benaventense

São mais de meia centena as atletas do Clube União Artística Benaventense que se preparam para o início de mais uma época de competições.

Os treinos começam depois de um dia de escola. Alongam-se os músculos e treina-se a flexibilidade até ao limite. Depois, em pares ou trios treinam-se exaustivamente os exercícios que vão ser executados nas próximas competições distritais, daqui a dois meses, que dão acesso às provas nacionais. É esta a fórmula para o sucesso das 57 praticantes de ginástica acrobática em competição do Clube União Artística Benaventense (CUAB).

Algumas mães assistem ao treino, que acontece duas a três vezes por semana. “É muito pouco. Deviam treinar mais, mas é difícil conciliar com a escola”, atira a treinadora, Nádia Loureiro. Também é duro treinar depois de um dia de aulas e com testes e trabalhos para fazer, reconhece a treinadora, lamentando que o ensino em Portugal “na prática não seja mais flexível” para os atletas de alto rendimento.

Para se ser atleta de competição é preciso muito rigor, empenho e objectivos bem delineados. Em cima do tapete vermelho cada uma sabe o que tem de fazer e melhorar - umas a expressão facial, outras a postura, força ou flexibilidade. Para as volantes - as mais leves - é uma batalha dura até conseguirem ficar três segundos apoiadas em outras mãos de cabeça para baixo e sair em duplo salto mortal. “O sacrifício é tanto que se estivessem aqui obrigadas não iria funcionar”, alerta a treinadora e antiga ginasta do clube.

Durante os treinos, além dos sorrisos de quem gosta do que faz, vêem-se caras de esforço de quem teima em não dar a luta por vencida. “É rara a aula em que três ou quatro não chorem, pela dor física ou com a frustração imensa de tanto tentar e não conseguir. Neste caso, trata-se de uma equipa 100 por cento feminina com idades complicadas, em que as hormonas desencadeiam imensas emoções”, diz a treinadora.

E, reafirma Nádia Loureiro, não se pense que não há motivo para se deixar cair uma lágrima. “Se for um bom treino dói tudo, os músculos, articulações, as micro-lesões e as rupturas. Dói até o cabelo, porque tem de estar muito bem apertado. Depois dói o psicológico porque para atingir algo tecnicamente é preciso muito foco e persistência”, aponta.

O maior problema é a falta de espaço

Magricela e de olhos azuis, Luísa Teixeira é a mais nova do grupo mas já voa alto quando é lançada pelas colegas que no trio ocupam as posições de base e intermédia - termos de ginastas, que a pequena Luísa já traz presentes no seu vocabulário. É nas colegas que tem de aprender a confiar, até de olhos vendados. Luísa ainda tem algum medo, mas esforça-se para este ano se iniciar nas competições.

“Têm que ser muito leais umas às outras, ganhar confiança e nunca faltar a um treino, pois sabem que vão prejudicar as colegas do grupo. Se uma faltar é um problema”, adverte a treinadora. Mas o maior deles todos é o da falta de espaço. “Dava jeito um espaço maior. Faltam-nos quatro metros para termos 12 por 12 metros - tamanho dos praticáveis de competição - e têm de treinar à vez. Fecham os olhos e imaginam que lhes faltam dois tapetes”, lamenta, apesar de agradecer o espaço que lhes é cedido pela Câmara de Benavente no edifício das piscinas municipais.

Acrobática é a ginástica mais completa

Para se ser atleta de ginástica acrobática a treinadora explica que outras modalidades de ginástica vão também entrar em jogo. “As ginastas têm de voar como nos trampolins, ter o equilíbrio e dinâmica de quem pratica tumbling, o sprint da aeróbica e a postura de ballet. A acrobática acaba por ser um bocado de todas as modalidades”.

A vontade é o mais importante e a flexibilidade trabalha-se com o tempo. Até uma pessoa rígida consegue fazer uma espargata, “basta querer e trabalhar para isso”. A idade também conta mas não é entrave. “Para os mais novos é mais fácil adquirir flexibilidade, mas depende. Prefiro treinar quem quer ser ginasta do que quem nasce a sê-lo”, afirma a treinadora.

Há mais de 30 anos que se pratica ginástica acrobática no CUAB, mesmo antes de terem surgido as primeiras competições da modalidade, que agora luta para ser olímpica. No CUAB luta-se particularmente por patrocínios. “Onde estão? No futebol. Aqui temos a sorte de alguns pais conseguirem alguns e de o clube ter algum suporte monetário, porque esta é uma modalidade muito cara, com o equipamento de competição a ultrapassar a centena e meia de euros ”, diz.

Nádia Loureiro, 46 anos, começou a dar aulas de acrobática no clube ao mesmo tempo que era atleta. Não faz dos treinos a sua profissão, já que a ginástica não estica para lhe pagar as contas. “O que me faz continuar são estas meninas e a forma como as faço acreditar na modalidade e nos valores que lhes transmito enquanto treinadora”. E a busca pelo “sabor do sucesso que vence o cansaço”.

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