Sociedade | 22-02-2020 18:00

Suspeito do assassinato de prostituta em Santarém agiu pelas costas e de forma perversa

Suspeito do assassinato de prostituta em Santarém agiu pelas costas e de forma perversa

Ministério Público acusa o técnico de informática, de nacionalidade angolana, que residia na cidade, de ter atacado a vítima, com quem teve relações sexuais, quando esta estava indefesa. Para tentar despistar as autoridades ficou com o telemóvel da Maria Lúcia.

O suspeito do assassinato da brasileira que se dedicava à prostituição no centro histórico de Santarém, atacou-a pelas costas, sem hipótese de esta se defender, e degolou-a num único golpe. A conclusão da investigação está plasmada na acusação para julgamento que agora foi deduzida, estando ainda para se saber os reais motivos do técnico de informática, de 28 anos de idade, para cometer o crime no ano passado. O Ministério Público fala num crime perverso tendo o arguido agido de forma “censurável e insidiosa”. O caso é de tal modo cruel ao ponto de o arguido ter guardado o telemóvel de Maria Lúcia Oliveira, para ludibriar as autoridades, durante três meses até ser apanhado.

O facto de ter o telemóvel da vítima escondido em cima do armário da cozinha da sua casa em Santarém, junto ao tubo do sistema de exaustão, para ocultar os contactos que teve com esta, foi determinante para a Judiciária o ligar ao crime. Segundo a acusação, Yuren Teixeira tinha ligado por três vezes para Maria Lúcia, poucos dias antes do crime, entre 18 e 22 de Janeiro. Defende também a investigação que o suspeito, natural de Angola, residente no centro da cidade, já tinha tido relações sexuais pagas com a vítima, de 48 anos, pelo menos em duas ocasiões, dias antes do crime.

Refere o Ministério Público que no dia 27 de Janeiro de 2019 Yuren ligou para o telemóvel de Maria e manteve uma conversa de pouco mais de um minuto. E sustenta que durante o telefonema combinaram encontrar-se nesse dia para terem relações sexuais pagas no apartamento onde a vítima atendia os clientes, na Travessa das Frigideiras. Por motivos não concretamente apurados pelo Ministério Público, que podem vir a revelar-se em julgamento, o suspeito, que está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa, usou um objecto cortante para lhe cortar o pescoço, aproveitando que esta estava de costas e indefesa.

O golpe foi de tal ordem que teve uma extensão de 19 centímetros, cortando a veia jugular e a traqueia, que foram a causa da morte. Maria Lúcia ainda conseguiu caminhar ensanguentada até ao corredor da casa, onde sucumbiu ao profundo ferimento. A acusação realça que o arguido agiu consciente de provocar um extenso e profundo golpe numa zona vital do corpo, capaz de tirar a vida à vítima, que, acrescenta, publicitava relações sexuais a troco de dinheiro em vários sites da Internet e em jornais.

Este caso trouxe um grande alarme na cidade e foi tema de conversa durante semanas. Maria Lúcia Oliveira tinha dois filhos e estava há cerca de dez anos em Portugal. Tinha trabalhado em várias casas nocturnas da zona, sendo que a última foi o Retiro da Francesinha. Estava casada com um português que, na altura, trabalhava no estrangeiro, mas mesmo casada continuava a atender clientes. Uma amiga da vítima, Ana Bela Vitoriano, contou na altura a O MIRANTE que não percebe o porquê de Lúcia ter continuado a trabalhar na prostituição, já que, aparentemente, não tinha dificuldades financeiras.

Yuren vai responder por um crime de homicídio qualificado, pelo facto de ter usado um meio insidioso e de ter provocado a morte “em circunstâncias que revelam especial censurabilidade ou perversidade”, segundo o previsto no Código Penal. O crime é punido com pena de prisão de doze a vinte e cinco anos. O julgamento está previsto iniciar-se na manhã de 27 de Fevereiro.

Ministério Público pede recolha de ADN

Na acusação para julgamento, o Ministério Público pede ao colectivo de juízes que seja recolhida uma amostra de ADN do suspeito, se este for condenado, para efeitos de investigação criminal. Esta possibilidade está prevista na lei e o perfil de ADN do condenado passa a fazer parte de uma base de dados, podendo ser usado para comparação com outros em caso de investigação de crimes.

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