Sociedade | 23-02-2020 18:00

Quase 400 mil toneladas de resíduos perigosos tratadas no Eco Parque do Relvão

Números relativos à actividade dos dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos respeitam apenas ao ano de 2019. Parte desses resíduos é importada.

Os dois Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos (CIRVER) localizados na Chamusca receberam 398 mil toneladas de resíduos industriais perigosos de proveniência nacional e internacional em 2019, tendo a maioria sido depositada em aterro. Os dados foram fornecidos à Lusa pelos administradores dos dois CIRVER que funcionam no Eco Parque do Relvão, freguesia da Carregueira, na Chamusca, desde 2008, viabilizando uma solução específica para cada tipo de resíduos, sobretudo industriais perigosos.

De acordo com Jorge Afonso, administrador do CIRVER SISAV, no último ano o centro “tratou 208 mil toneladas de resíduos perigosos, das quais 18% de proveniência internacional”. A componente de resíduos para eliminação com proveniência do estrangeiro foi de 11% dos resíduos totais do SISAV, representando aproximadamente 60% das importações.

“No caso do CIRVER SISAV, estes resíduos entram a preços mais elevados do que os resíduos de origem nacional”, acrescentou o responsável, adiantando que “tratar resíduos perigosos nunca é barato”, pelo que o caminho “será sempre minimizar a produção de resíduos e aumentar a reciclagem”.

Tendo em conta os dados fornecidos, grande parte das importações do SISAV são “com código R”, ou seja, são reciclagens de resíduos. São tratados na unidade “combustíveis provenientes de fundos de navios, misturados com água salgada ou de centrais eléctricas no estrangeiro” dos quais é possível fazer um combustível utilizado na indústria.

Resíduos estrangeiros tratados no Relvão

Tanto a unidade SISAV como a ECODEAL receberam resíduos industriais perigosos de Malta, Grécia e Itália. A primeira importou ainda resíduos da Irlanda, Reino Unido e Cabo Verde. A ECODEAL tratou “essencialmente lamas industriais de processos de tratamento físico-químico”. A maioria dos resíduos recebidos de outros países teve como destino final o aterro.

Segundo Manuel Simões, o aterro da ECODEAL tem uma capacidade licenciada de 1.700 mil toneladas e durante os últimos 10 anos de actividade foram já depositadas em aterro “cerca de 900 mil toneladas – dessas, menos de 5% são resíduos de origem internacional”.

A entrega neste CIRVER de uma lama industrial perigosa, por exemplo, pode custar a um produtor nacional cerca de 75 euros por tonelada, além dos 11 euros por tonelada da taxa de gestão de resíduos (que reverte para o Estado). Se o mesmo resíduo for de origem internacional o preço fica por 105 euros/tonelada (a que acrescem os 11 euros/toneladas da taxa).

Economicamente, na actividade desenvolvida no Relvão, “os movimentos transfronteiriços de resíduos têm dado um ‘input’ importante na actividade dos dois CIRVER, reflectindo-se economicamente para o município da Chamusca”, reconhece o presidente do município, Paulo Queimado. No entanto, admite que a questão dos resíduos que não são para valorizar constitui uma preocupação: “São para deposição em aterro e fica no nosso território”.

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